<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768</id><updated>2012-02-11T03:28:30.737-03:00</updated><title type='text'>Eu sou um outro</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>83</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-3552974145043188741</id><published>2009-05-17T12:52:00.002-03:00</published><updated>2009-05-17T12:59:48.878-03:00</updated><title type='text'>O lado de cá do espelho</title><content type='html'>Ontem, no início da madrugada, coloquei um tweet pedindo sugestão para um conto. A queridíssima Ana Enne deu uma idéia e, a partir dela, escrevi o texto que se segue. Valeu pelo desafio e pelo exercício, além de me deixar um pouco mais relaxado. Portanto, espero que gostem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado de cá do espelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abriu a porta com certa ansiedade, largou a sacola de pães sobre a mesa e correu para a janela. De lá, ainda a via junto ao poste, toda de preto, olhando para o celular que permanecia em silêncio. Abriu bem a cortina e, para que pudesse vê-la por inteiro, apoiou-se à balaustrada. Um homem, pensou. Um homem a havia feito se vestir daquela forma, como nunca antes. Ela que sempre se mostrou tão cotidiana e direita, os vestidos largos e bem-comportados, os cabelos irregulares, em coque. Com alguma sandália rasteira para ir ao mercado, a pele áspera e opaca, os óculos grossos. Sempre os mesmos. Agora estava ali, junto ao poste, esperando um homem que – sabe-se lá como! – a havia convencido de que podia vestir-se daquele modo. Pouca vergonha. Uma mulher dessa idade. Ele sabia da vida dela, como os demais, da rua: só um pouco. Sabia que os filhos estavam fora, estudando; que o marido vivia com outra, e tinha outros filhos (não sabia quantos); e sabia que ela vivia da pensão dele, mais nada. E, até então, nunca teve queixas de sua postura: ela sempre fora correta e contrita, cumprimentava a todos, mas sem muita intimidade. Como uma mãe de família. Mas agora, estava ali, de preto, junto ao poste, sob uma luz que realçava o volume de seus seios, firmes e proeminentes, com os cabelos soltos e ondulados, uma maquiagem rosa sobre a pele branca. Que diria a finada, se perguntou ele. Começou então a imaginar o rumo de sua rua (onde vivia desde sempre), agora que sabia o tipo de pessoas que ali moravam. Vai virar um prostíbulo. Pensou logo em telefonar para o compadre Rui, da outra esquina, para partilhar sua indignação. Mas não conseguia deixar de observá-la. Ela já estava ali há quase meia hora. Digitava agora algum número no celular, colocava o aparelho no ouvido, esperava, e nada. O vestido preto ia só até acima dos joelhos. As sandálias, de salto alto, não impunham dificuldade. Ela se impacientava. Cruzava os braços com mais força, vez ou outra esfregando a pele para afastar o frio que a noite trouxera. Pouca vergonha. Uma mulher tem que se dar o respeito. Ele quase balbuciava as palavras, tamanha a raiva. Teve que viver tudo para ver o mundo se acabar desse jeito. E tudo isso assim, no meio da rua, junto ao poste. Parece que não se enxerga, ora! E como por um acaso, ela virou-se e o viu na janela. Olharam-se por alguns segundos. Ele se assustou, mas não deixou de fixá-la em silêncio. Ela então compreendeu toda a cena. Virou-se, sem pressa, e foi em direção ao portão de casa. Antes de entrar, ele a viu amarrando o cabelo, com uma presilha. Em seguida, ouviu apenas o barulho do portão dela se fechando. Ele se manteve imóvel, sob a balaustrada, acalmando a respiração que aos poucos arrefecia. Viu, ao longe, um carro velho e ruidoso se aproximando. Acompanhou o veículo atravessar toda a extensão da rua numa passada lenta, e seguir direto, sem paradas. Olhou o céu que ficava pesado. Vem chuva, afinal. Sentiu mais forte o frio que entrava com ímpeto. Afastou-se então, fechando a janela e trancando os ferrolhos. Estava em paz. Fora um gato que miava ao longe, a rua estava calma, em sossego. Ele podia dormir tranqüilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-3552974145043188741?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/3552974145043188741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=3552974145043188741&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3552974145043188741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3552974145043188741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2009/05/o-lado-de-ca-do-espelho.html' title='O lado de cá do espelho'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-3496698672398952751</id><published>2009-03-02T22:25:00.001-03:00</published><updated>2009-03-02T22:31:47.136-03:00</updated><title type='text'>Como se comportar em situações óbvias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Episódio de hoje: Trânsito&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora o semáforo estivesse verde, a moça não podia cruzá-lo, porque, se se adiantasse o mínimo que fosse, trancaria o cruzamento. Ela então para (isso mesmo, sem o acento diferencial!) antes da faixa de pedestre e começa a ouvir aquela avalanche de buzinas, cada uma com seu timbre: o engasgado do Chevette, o roufenho do Gol, o histriônico do Palio, o encorpado do Civic... nenhum deles, porém, se compara ao do ônibus parado logo atrás dela.  O motorista se impacienta, dá seta para a esquerda tentando ultrapassá-la, mas a imobilidade do trânsito não permite saída: o semáforo está verde, porém estão todos parados. Até que a porta do ônibus se abre e parece que os passageiros, cansados daquela demora, resolveram ir a pé. No entanto, apenas um deles desce (um rapaz forte e cansado, nitidamente ansioso pra chegar em casa) e vai até o carro da moça. Bate na janela, ela se assusta, mas percebe que o rapaz quer apenas lhe dizer algo. Abaixa pois o vidro, ao que ele lhe pergunta: “Como é, moça? Eu quero ir pra casa!”. E ela responde: “Por quê? Quer uma carona?”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-3496698672398952751?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/3496698672398952751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=3496698672398952751&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3496698672398952751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3496698672398952751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2009/03/como-se-comportar-em-situacoes-obvias.html' title='Como se comportar em situações óbvias'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-2759910113517725989</id><published>2009-01-31T21:20:00.003-03:00</published><updated>2009-01-31T21:50:35.049-03:00</updated><title type='text'>Como se comportar em situações óbvias</title><content type='html'>Episódio de hoje: Disque-pizza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendente: Boa noite! Pizza's Show, em que posso ajudá-lo?&lt;br /&gt;Cliente: Boa noite. Tem picanha?&lt;br /&gt;Atendente: Não, senhor. Não temos picanha.&lt;br /&gt;Cliente: E o que é que tem?&lt;br /&gt;Atendente: Temos pizzas, calzones, nhoques, lasanhas...&lt;br /&gt;Cliente: E picanha?&lt;br /&gt;Atendente: Não, senhor. Sem picanha.&lt;br /&gt;Cliente: Hum... e qual a especialidade da casa, amigo?&lt;br /&gt;Atendente: Nossa especialidade é a pizza...&lt;br /&gt;Cliente: De picanha?&lt;br /&gt;Atendente: Não, senhor. Não temos pizza de picanha.&lt;br /&gt;Cliente: E tem pizza de que?&lt;br /&gt;Atendente: Temos todos os sabores.&lt;br /&gt;Cliente: Menos picanha.&lt;br /&gt;Atendente: Sim, senhor. Menos picanha.&lt;br /&gt;Cliente: Assim é difícil escolher.&lt;br /&gt;Atendente: ...&lt;br /&gt;Cliente: Será que o amigo pode sugerir alguma coisa?&lt;br /&gt;Atendente: As pizzas que mais saem são as de calabresa, frango com catupiry, quatro queijos...&lt;br /&gt;Cliente (interrompendo): Aposto que se vocês fizessem de picanha ia vender aos montes.&lt;br /&gt;Atendente: Iremos anotar a sua sugestão, senhor.&lt;br /&gt;Cliente: Então vai dar pra sair a de picanha?&lt;br /&gt;Atendente: Não, senhor, não agora. Repassaremos depois sua sugestão ao gerente da casa e é ele quem providencia isso.&lt;br /&gt;Cliente: Então será que amanhã já tem de picanha?&lt;br /&gt;Atendente: Não, senhor, essas coisas demoram. E, além disso, nem sei se o gerente vai querer fazer pizza de picanha, ora.&lt;br /&gt;Cliente: Mas, por quê?&lt;br /&gt;Atendente: Primeiramente, porque picanha não combina com pizza.&lt;br /&gt;Cliente: Pois eu adoro.&lt;br /&gt;Atendente: Senhor, se for querer alguma coisa além de picanha, diga, senão vou ter desligar.&lt;br /&gt;Cliente: Sim, sim... Huuum... Me vê então uma dessa de calabresa.&lt;br /&gt;Atendente: Pequena, média ou grande?&lt;br /&gt;Cliente: Se fosse de picanha, eu pediria uma grande. Mas, sendo assim, pode ser da média.&lt;br /&gt;Atendente: E alguma coisa para beber?&lt;br /&gt;Cliente: Não, obrigado.&lt;br /&gt;Atendente: Deu R$ 19,90. Precisa de troco?&lt;br /&gt;Cliente: Troco pra R$ 50,00.&lt;br /&gt;Atendente: Deseja mais alguma coisa, senhor?&lt;br /&gt;Cliente: Sim, por favor. No lugar da calabresa, pode ser picanha???&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-2759910113517725989?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/2759910113517725989/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=2759910113517725989&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2759910113517725989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2759910113517725989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2009/01/como-se-comportar-em-situacoes-obvias.html' title='Como se comportar em situações óbvias'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6427312313419137184</id><published>2008-01-19T06:32:00.000-03:00</published><updated>2008-01-19T06:36:22.553-03:00</updated><title type='text'>i carry your heart (e.e.cummings)</title><content type='html'>i carry your heart with me(i carry it in&lt;br /&gt;my heart)i am never without it(anywhere&lt;br /&gt;i go you go,my dear;and whatever is done&lt;br /&gt;by only me is your doing,my darling)&lt;br /&gt;                                    i fear&lt;br /&gt;no fate(for you are my fate,my sweet)i want&lt;br /&gt;no world(for beautiful you are my world,my true)&lt;br /&gt;and it's you are whatever a moon has always meant&lt;br /&gt;and whatever a sun will always sing is you&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;here is the deepest secret nobody knows&lt;br /&gt;(here is the root of the root and the bud of the bud&lt;br /&gt;and the sky of the sky of a tree called life;which grows&lt;br /&gt;higher than soul can hope or mind can hide)&lt;br /&gt;and this is the wonder that's keeping the stars apart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i carry your heart(i carry it in my heart&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6427312313419137184?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6427312313419137184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6427312313419137184&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6427312313419137184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6427312313419137184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2008/01/i-carry-your-heart-eecummings.html' title='i carry your heart (e.e.cummings)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6581215863402106138</id><published>2008-01-02T03:32:00.000-03:00</published><updated>2008-01-02T03:33:35.954-03:00</updated><title type='text'>Love letter (Sylvia Plath)</title><content type='html'>Not easy to state the change you made.&lt;br /&gt;If I'm alive now, then I was dead,&lt;br /&gt;Though, like a stone, unbothered by it,&lt;br /&gt;Staying put according to habit.&lt;br /&gt;You didn't just toe me an inch, no--&lt;br /&gt;Nor leave me to set my small bald eye&lt;br /&gt;Skyward again, without hope, of course,&lt;br /&gt;Of apprehending blueness, or stars.&lt;p&gt;  That wasn't it.  I slept, say:  a snake&lt;br /&gt;Masked among black rocks as a black rock&lt;br /&gt;In the white hiatus of winter--&lt;br /&gt;Like my neighbors, taking no pleasure&lt;br /&gt;In the million perfectly-chiseled&lt;br /&gt;Cheeks alighting each moment to melt&lt;br /&gt;My cheek of basalt.  They turned to tears,&lt;br /&gt;Angels weeping over dull natures,&lt;br /&gt;But didn't convince me.  Those tears froze.&lt;br /&gt;Each dead head had a visor of ice.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  And I slept on like a bent finger.&lt;br /&gt;The first thing I saw was sheer air&lt;br /&gt;And the locked drops rising in a dew&lt;br /&gt;Limpid as spirits.  Many stones lay&lt;br /&gt;Dense and expressionless round about.&lt;br /&gt;I didn't know what to make of it.&lt;br /&gt;I shone, mica-scaled, and unfolded&lt;br /&gt;To pour myself out like a fluid&lt;br /&gt;Among bird feet and the stems of plants.&lt;br /&gt;I wasn't fooled.  I knew you at once.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;  Tree and stone glittered, without shadows.&lt;br /&gt;My finger-length grew lucent as glass.&lt;br /&gt;I started to bud like a March twig:&lt;br /&gt;An arm and a leg, an arm, a leg.&lt;br /&gt;From stone to cloud, so I ascended.&lt;br /&gt;Now I resemble a sort of god&lt;br /&gt;Floating through the air in my soul-shift&lt;br /&gt;Pure as a pane of ice.  It's a gift.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6581215863402106138?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6581215863402106138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6581215863402106138&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6581215863402106138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6581215863402106138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2008/01/love-letter-sylvia-plath.html' title='Love letter (Sylvia Plath)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-1297434504686962698</id><published>2007-12-21T17:11:00.000-03:00</published><updated>2007-12-21T17:13:46.247-03:00</updated><title type='text'>If I could tell you (W.H. Auden)</title><content type='html'>&lt;span name="KonaFilter"&gt;&lt;span style="font-family:Arial;font-size:100%;color:#800000;"&gt;            Time will say nothing but I told you so,&lt;br /&gt;Time only knows the price we have to pay;&lt;br /&gt;If I could tell you I would let you know.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If we should weep when clowns put on their show,&lt;br /&gt;If we should stumble when musicians play,&lt;br /&gt;Time will say nothing but I told you so.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;There are no fortunes to be told, although,&lt;br /&gt;Because I love you more than I can say,&lt;br /&gt;If I could tell you I would let you know.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The winds must come from somewhere when they blow,&lt;br /&gt;There must be reasons why the leaves decay;&lt;br /&gt;Time will say nothing but I told you so.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perhaps the roses really want to grow,&lt;br /&gt;The vision seriously intends to stay;&lt;br /&gt;If I could tell you I would let you know.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suppose all the lions get up and go,&lt;br /&gt;And all the brooks and soldiers run away;&lt;br /&gt;Will Time say nothing but I told you so?&lt;br /&gt;If I could tell you I would let you know.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-1297434504686962698?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/1297434504686962698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=1297434504686962698&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1297434504686962698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1297434504686962698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/12/if-i-could-tell-you-wh-auden.html' title='If I could tell you (W.H. Auden)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-2520646722593049572</id><published>2007-12-18T15:56:00.000-03:00</published><updated>2007-12-18T16:10:13.682-03:00</updated><title type='text'>Septo cardíaco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;Desenhei uma linha que ia da quina da porta, atravessava o centro da sala, entre os dois sofás, e terminava junto à janela. No lado de cá – o meu – serei soberano; no de lá – o dela – aceitarei a vassalagem. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-2520646722593049572?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/2520646722593049572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=2520646722593049572&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2520646722593049572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2520646722593049572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/12/desenhei-uma-linha-que-ia-da-quina-da.html' title='Septo cardíaco'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-7070588963075305296</id><published>2007-12-16T19:29:00.000-03:00</published><updated>2007-12-16T19:50:51.743-03:00</updated><title type='text'>We can work it out (The Beatles) ou rastilhos de pólvora de um weekend incendiário</title><content type='html'>Try to see it my way,&lt;br /&gt;Do i have to keep on talking till i can't go  on?&lt;br /&gt;While you see it your way,&lt;br /&gt;Run the risk of knowing that our love may  soon be gone.&lt;br /&gt;We can work it out,&lt;br /&gt;We can work it out.&lt;br /&gt;Think of what  you're saying.&lt;br /&gt;You can get it wrong and still you think that it's  alright.&lt;br /&gt;Think of what i'm saying,&lt;br /&gt;We can work it out and get it straight,  or say good night.&lt;br /&gt;We can work it out,&lt;br /&gt;We can work it out.&lt;br /&gt;Life is very  short, and there's no time&lt;br /&gt;For fussing and fighting, my friend.&lt;br /&gt;I have  always thought that it's a crime,&lt;br /&gt;So i will ask you once again.&lt;br /&gt;Try to see  it my way,&lt;br /&gt;Only time will tell if i am right or i am wrong.&lt;br /&gt;While you see  it your way&lt;br /&gt;There's a chance that we may fall apart before too long.&lt;br /&gt;We  can work it out,&lt;br /&gt;We can work it out.&lt;br /&gt;Life is very short, and there's no  time&lt;br /&gt;For fussing and fighting, my friend.&lt;br /&gt;I have always thought that it's  a crime,&lt;br /&gt;So i will ask you once again.&lt;br /&gt;Try to see it my way,&lt;br /&gt;Only time  will tell if i am right or i am wrong.&lt;br /&gt;While you see it your way&lt;br /&gt;There's a  chance that we may fall apart before too long.&lt;br /&gt;We can work it out,&lt;br /&gt;We can  work it out.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-7070588963075305296?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/7070588963075305296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=7070588963075305296&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7070588963075305296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7070588963075305296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/12/we-can-work-it-out-beatles-ou-o.html' title='We can work it out (The Beatles) ou rastilhos de pólvora de um weekend incendiário'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-371567262775429263</id><published>2007-12-02T01:19:00.000-03:00</published><updated>2007-12-02T01:30:28.556-03:00</updated><title type='text'>Breve estudo sobre o afeto (Parte V - Da urgência)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No redobre de nossas horas, estive contando, estava lá tua ausência. Teu esquecimento. No teu corpo que meus olhos correram como se eu já o conhecesse há eras: nessa visão distante, esmaecida, que nos une e nos separa. Estendo as mãos: as vês? Tenho estremecimentos, cólicas homéricas, insalubres, pois é saudade, saudade sem nome de saudade. Saudade do tempo, que passa, e passa, e não nos leva. Nessa espera noturna – não menos noctívaga – de um contato, um sinal de fumaça, um espião que se imiscui pela janela com uma carta de amor: essa é a nossa vida. Esse é o nosso destino... mas não destino dos que se impõem, dos que se dão de cima, numa queda, num raio, num atavismo. Esse o nosso destino porque é presente, porque é nossa vida de agora, nosso tempo. Mas é destino também porque o temos na mão, porque está cá, no homem que sou e na mulher que és, e somos tudo. Até na ruína. Na nossa ruína supostamente premeditada. Na resignação das horas que saberemos distantes... ah, querida, este é o caso: estamos vivos, e em nossos muros há pichações contra o império do impossível. Tu estás aí, prescrevendo remédios para a higiene de teu coração, e eu cá, oferecendo-te os escombros, as diarréias, os vômitos, as bebedeiras na sacada da morte, os adeuses silenciados. Hahahaha... te oferto o escárnio quanto ao que se há, quanto ao que será, e tu serás. Tens alguma dúvida? Serei eternamente tua ponte para o que poderia ter sido e não foi, la joie venait toujours après la peine. Ponte de abraços, que desejamos e desejamos e tanto desejamos em nossas noites insones. E não houve abraços, posto que não há pele, não há suor, não há ventre suado de frio, do frio da expectativa, que ainda há. E tu, que serás para mim, em contrapartida? Serás uma lembrança do futuro, do futuro que cosi em meu desejo atribulado? Serás acaso um daqueles acontecimentos que nos ocorrem, como a dizer, é dura mesmo, esta vida? Ou serás uma fotografia amarelecida, uma madeleine num chá frio, uma tatuagem que não se vê, que não se fez, mas que está cá, e arde, bem, arde no couro? Tenho para mim que nossa vida está pronta e ainda assim é frágil. Vemos pouco, e não há óculos. Não há esperança, parece. Tu me dizes tanto, de teu momento encalacrado, dizes-me e me confessas que sim, mas talvez não: não há esperança. Nos retratos de tua vida, está lá, mulher, estás lá. E eu? Estás como colhida, e então te abres, num abraço que não é meu, numa pele que não é minha, e no teu ventre eu não estou, em tua gestação. E mesmo assim eu caio. Mesmo assim tu és minha urgência. Tu és minha esperança. E meu logro, meu tédio, minha taquicardia. Não posso esperar mais que isto: o amor silencioso das horas inconfessas. É a minha vida. Meu destino. Tudo meu: numa praia aquecida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-371567262775429263?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/371567262775429263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=371567262775429263&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/371567262775429263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/371567262775429263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/12/breve-estudo-sobre-o-afeto-parte-v-da.html' title='Breve estudo sobre o afeto (Parte V - Da urgência)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-391492688774847076</id><published>2007-11-27T15:07:00.000-03:00</published><updated>2008-12-10T14:58:14.345-03:00</updated><title type='text'>yin-yang</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/R0xfpetVDUI/AAAAAAAAABM/mHzRpvTPFQ8/s1600-h/yin-yang.bmp"&gt;&lt;img style="cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/R0xfpetVDUI/AAAAAAAAABM/mHzRpvTPFQ8/s400/yin-yang.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137586441145355586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-391492688774847076?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/391492688774847076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=391492688774847076&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/391492688774847076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/391492688774847076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/yin-yang.html' title='yin-yang'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/R0xfpetVDUI/AAAAAAAAABM/mHzRpvTPFQ8/s72-c/yin-yang.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-7889077615944718594</id><published>2007-11-27T14:23:00.000-03:00</published><updated>2007-11-27T14:37:33.027-03:00</updated><title type='text'>Seqüestro</title><content type='html'>&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em teu corpo, enquanto,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Transpasso os lençóis,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com meu véu de canto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E beijos, anzóis,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em soluço e pranto,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com as mãos em nós,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E ais, eis e pois,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em tu e ele: dois&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com eu e eu a sós.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Insisto em tal grito&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Por muro e por anos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sabendo que o dito&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cosido nos panos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Constrói-se contrito:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tijolos de fanos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Num vento edifício&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De folha e de vício&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;De riscos e danos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Arisco o que valha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em gesto e canção,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Casebre ou muralha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Destruo com a mão,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pois tudo o que calha&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Só vale à razão:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Comigo, colhida,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tu, melhor que em vida,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Só negas-me o não.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E assim, em meu colo,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Num gesto risonho,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Contigo decolo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pra um canto, que oponho,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Qualquer rasgo ou dolo,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Qualquer outro, em sonho,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E, como se diz,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Perduro, feliz,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu mesmo tristonho.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-7889077615944718594?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/7889077615944718594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=7889077615944718594&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7889077615944718594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7889077615944718594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/seqestro.html' title='Seqüestro'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-5152393921998205435</id><published>2007-11-26T20:38:00.000-03:00</published><updated>2007-11-26T21:43:45.460-03:00</updated><title type='text'>névoa</title><content type='html'>(para Luísa Carvalho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ontem chorei a tua morte&lt;br /&gt;hoje eu rio a teu sorriso&lt;br /&gt;amanhã: não sei&lt;br /&gt;onde estará minha face,&lt;br /&gt;em que máscara ou em que&lt;br /&gt;pântano alagado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;teu corpo ainda frio&lt;br /&gt;transpassou a névoa&lt;br /&gt;recortando-a&lt;br /&gt;(cá o vejo) e&lt;br /&gt;aterrissou&lt;br /&gt;em meu silêncio&lt;br /&gt;tão virgem de segredos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda ontem eu ri o teu riso&lt;br /&gt;já hoje: não sei&lt;br /&gt;amanhã é a morte&lt;br /&gt;oculta na bruma&lt;br /&gt;cantando calma suas mentiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a mesa disposta&lt;br /&gt;de mais fina louça&lt;br /&gt;toalha de seda&lt;br /&gt;sob a prataria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e eu janto sozinho&lt;br /&gt;junto a esse sol cinza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perpassa por tua porta&lt;br /&gt;impassível, parca e plúmbea&lt;br /&gt;uma névoa que sucumbe-a&lt;br /&gt;para alcançar tua cama&lt;br /&gt;ouve-a prometer que te ama&lt;br /&gt;e tu muda.&lt;br /&gt;                 ouve-a taluda&lt;br /&gt;a atravessar tua pele&lt;br /&gt;com um algor grosso de algoz.&lt;br /&gt;mas ao te andar te repele&lt;br /&gt;e outra vez te deixa a sós&lt;br /&gt;cheia de ontens sem magias&lt;br /&gt;perdida por coisas vãs;&lt;br /&gt;de hojes que nunca existias&lt;br /&gt;e de amanhãs sem manhãs&lt;br /&gt;                                                que tu sentes num instante&lt;br /&gt;e não mais.&lt;br /&gt;                        enfim, estais morta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E&lt;br /&gt;eu estou vivo&lt;br /&gt;tão vivo nessa ferida&lt;br /&gt;tão e tão vivo no badalar da dor&lt;br /&gt;mas tão&lt;br /&gt;            tão e tão vivo sob&lt;br /&gt;o couro cru de minha carne&lt;br /&gt;pois a névoa que por ti passou&lt;br /&gt;em mim está sedimentada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;está em meus ouvidos&lt;br /&gt;como verdade indelével&lt;br /&gt;está mais mim do que eu&lt;br /&gt;está minha mais do que tu&lt;br /&gt;pois estais morta&lt;br /&gt;e eu estou vivo&lt;br /&gt;ainda que com cinzas nos olhos&lt;br /&gt;e tremores nas mãos&lt;br /&gt;pois a névoa que passou por ti&lt;br /&gt;ontem me deixou pesado&lt;br /&gt;hoje me deixou pesado&lt;br /&gt;e pesado amanhã me deixou&lt;br /&gt;tão vivo quanto tua morte&lt;br /&gt;encenando o teu velório&lt;br /&gt;no vão de cada silêncio&lt;br /&gt;passando pesado&lt;br /&gt;pelo ontem de flores murchas&lt;br /&gt;pelo hoje de cravos pensos&lt;br /&gt;pelo amanhã tão sem hera&lt;br /&gt;pois estais morta&lt;br /&gt;e eu estou vivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e vivo sinto&lt;br /&gt;a névoa passar em mim&lt;br /&gt;                                    e ficar&lt;br /&gt;e vivo vejo&lt;br /&gt;a névoa em ti passar&lt;br /&gt;                                    e seguir&lt;br /&gt;pois como a névoa&lt;br /&gt;tanto o ontem ainda passa&lt;br /&gt;tanto o hoje ainda tanto&lt;br /&gt;tanto o amanhã palpita&lt;br /&gt;quanto tanto é certo&lt;br /&gt;quanto minha mão tremer no adeus da noite&lt;br /&gt;e meu peito sentir a dor sem nome&lt;br /&gt;quanto dói quanto dói quanto dói quando dói&lt;br /&gt;pois com a névoa&lt;br /&gt;passaste em tantos mundos&lt;br /&gt;                                                (e eu parado)&lt;br /&gt;passaste em tantos outros   &lt;br /&gt;                                                (e eu parado)&lt;br /&gt;passaste a outros mundos&lt;br /&gt;e parado com a névoa eu&lt;br /&gt;   parado como a névoa&lt;br /&gt;paro e vejo os outros passar&lt;br /&gt;passo parado vendo os outros parar&lt;br /&gt;sofro as seqüelas de uma morte adiada&lt;br /&gt;sofro calado (passando calado)&lt;br /&gt;como a névoa que de manhã não some&lt;br /&gt;se esconde&lt;br /&gt;como quando sinto essa dor sem nome&lt;br /&gt;me escondo&lt;br /&gt;como a névoa&lt;br /&gt;que em ti viveu caminhando&lt;br /&gt;sempre foi minha&lt;br /&gt;morte permanente&lt;br /&gt;sempre ainda sempre&lt;br /&gt;a cada instante de morte&lt;br /&gt;a névoa aperta meus sentidos&lt;br /&gt;e pára&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem me deixar partir&lt;br /&gt;sem me deixar deixar&lt;br /&gt;sem me deixar senão&lt;br /&gt;um ontem que não mais conheço&lt;br /&gt;um hoje inconcluso&lt;br /&gt;                                e amanhã&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-5152393921998205435?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/5152393921998205435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=5152393921998205435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5152393921998205435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5152393921998205435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/nvoa.html' title='névoa'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-3736283381131046907</id><published>2007-11-25T23:26:00.000-03:00</published><updated>2007-11-25T23:30:24.947-03:00</updated><title type='text'>Senhoras e senhores</title><content type='html'>Ele chegou com calma, assim, completamente arruinado, e disse: não quero ser mais o bobo-da-corte de teu coração solitário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-3736283381131046907?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/3736283381131046907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=3736283381131046907&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3736283381131046907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3736283381131046907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/senhoras-e-senhores.html' title='Senhoras e senhores'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-8585552444785624369</id><published>2007-11-16T21:27:00.000-03:00</published><updated>2007-11-16T21:34:56.875-03:00</updated><title type='text'>Breve estudo sobre o afeto (Parte IV - Da felicidade)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Aguarda-me aqui, disse ao rapazola que carregava as bagagens, enquanto eu olhava a balaustrada que fazia sombra sobre a rua. Reparava em vão as grades agora corroídas, tentando ver através delas as pernas lívidas num vestido branco amarfanhado, que noutra época ali estiveram lançando adeuses silenciosos. Não havia, como agora, aquela crosta amarelecida sobre a parede branca, nem o desgosto imediato diante de tão belo prédio em tão decrépito estado. Saber que ali assistira ao casamento de Letícia era como ver enfim a justiça do tempo sobre as ações irreparáveis. Letícia, como o tempo, era infiel e precisa. Letícia, como a vida, imprecisa. Enquanto eu subia as escadas, passava com maciez a mão pelo corrimão se esfacelando, ouvindo o ranger dos degraus a cada passo. Dentro da sala, já do corredor, eu divisava a luz do sol devassando os tabiques agora irregulares e tíbios. Era uma luz embaciada, através da qual dançavam os resíduos de poeira que se agitavam por causa do vento. Ali, junto àquelas estantes em ruínas, entre a armadura da porta e o espaço vazio onde outrora estivera a mesa de jantar, ali, naquele exato lugar agora apenas pó e fungos, ali mesmo casara-se Letícia, e eu vi. Vi. Vi, não porque de outra forma não creria ou porque, em não vendo, talvez menos sofresse. Vi porque quis. Quis vê-la de noiva, quis desejar parabéns a suas núpcias, quis beijar-lhe a face esbranquiçada. E fiz tudo que quis, embora a querer nada de bom se me fez sensível. Ela manteve-se impávida. Olhou-me de volta, beijou-me a outra face e sorriu em simpatia. Sorriu, como se eu fosse, não mais, apenas um qualquer, um primo distante, um amigo de sua melhor amiga. Pérfida. Eu retribuí o sorriso, embora até hoje guarde a certeza de que sem problema ela me decifrou, ela anteviu em meus lábios timidamente arqueados o sofrimento de quem acaba de perder a mulher de sua vida. Mas, de tal, ela não deu denúncias. Manteve-se impávida, límpida, como estátua de sal. Aos poucos, subia um cheiro desagradável da madeira envelhecida, e o cheiro se avizinhou de mim como quem em degredo acaba de encontrar um amigo. Ainda assim, tendo inclusive que botar junto às narinas o lenço de bolso, eu conseguia cascavilhar na memória o cheiro de Letícia. Doía-me. Doía-me saber que, como aquela casa ancestral, que se mantinha em pé graças à resistência empedernida de seus alicerces e suas vigas, a lembrança de Letícia estaria estacada em mim, cá dentro, mais presente do que sempre supus. Não só sua imagem, que a vida depurou pela distância e pelos anos, mas cada detalhe de sua existência concreta, cotidiana, que sempre me passara despercebido. Saí da sala, desci aos tropicões a escada insegura e cheguei à rua, ofegante, ofegante. O rapazola que cuidava de minhas malas se assustou, aproximou-se preocupado, tentando ajudar. E eu, ríspido, disse-lhe às pressas, vamos, vamos, não há mais nada o que ver.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-8585552444785624369?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/8585552444785624369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=8585552444785624369&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8585552444785624369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8585552444785624369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/breve-estudo-sobre-o-afeto-parte-iv-da.html' title='Breve estudo sobre o afeto (Parte IV - Da felicidade)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-5016719383332867261</id><published>2007-11-11T14:34:00.000-03:00</published><updated>2007-11-11T14:36:50.217-03:00</updated><title type='text'>Breve estudo sobre o afeto (Parte III - Dos desencontros)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;amor meu, meu corpo, tu o tens, tenso – o que sobrou do calabouço –,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;tens minha mão em adeuses,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;meu suor almiscarado, mistério, meu mistério, tu o tens,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;esclarecido em sinais de penitência;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;tens meu tédio matinal, noturno, véspera&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;que somos do fracasso do amor, meu amor,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;tens meu silêncio movendo-se em teu colo;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;louco que estou, depedrado por todos os vícios,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;meu amor, confesso, tens mais de mim que supões,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;menos que mereces,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;pouco para transgredir-te,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;muito para te escapares;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;meu corpo, amor meu, numa escada sem trégua – em queda – guarda&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;teu medo.&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: times new roman; color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-5016719383332867261?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/5016719383332867261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=5016719383332867261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5016719383332867261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5016719383332867261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/breve-estudo-sobre-o-afeto-parte-iii.html' title='Breve estudo sobre o afeto (Parte III - Dos desencontros)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6671808730262621955</id><published>2007-11-03T15:11:00.000-03:00</published><updated>2007-11-03T15:17:19.703-03:00</updated><title type='text'>As meninas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;As meninas chegaram juntas. A festa já havia começado há horas, e naquele momento estava uma merda. ‘Tou cansada pra caralho, Paloma me disse logo me encontrou. Daqui a pouco, vou pra casa, concluiu antes de ir ao banheiro. Falei depois com Marcela, perguntei do trabalho, e ela me olhou e franziu a testa, como se dissesse “’tá foda, mas fazer o quê, tem que ganhar dinheiro, né”? Eu respondi também em silêncio, balançando a cabeça em concordância. Vou pegar uma cerveja pra gente, eu falei já me dirigindo ao bar. Ela disse ah, valeu, e fez um gesto positivo com a mão. Do bar, eu vi Paloma voltando do banheiro e chegando junto a Marcela, pousando a mão em seu ombro e dizendo qualquer coisa em seu ouvido. Após um sorriso curto, Marcela pegou Paloma pela cintura e também sussurrou algo. Paloma riu, dessa vez mais alto, e depois as duas se afastaram, balançando o corpo discretamente ao som da música. Quando cheguei, elas estavam em silêncio, rindo baixo cada qual pra si. Entreguei as cervejas e quis entabular alguma conversa, perguntando a Paloma do trabalho. Ainda rindo, ela jogou os braços ao meu redor e disse, vai tomar no cu, falar de trabalho agora é foda. Eu ri de volta, abracei forte seu corpo pequeno e firme, sentindo bem os contornos de suas coxas junto às minhas, e a beijei com força. Marcela também ria, balançando o corpo. Daí eu falei alto, pras duas, vamos nos divertir então, porque a vida é curta, o amor é lindo e Deus perdoa tudo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6671808730262621955?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6671808730262621955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6671808730262621955&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6671808730262621955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6671808730262621955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/as-meninas.html' title='As meninas'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-8618474296464852543</id><published>2007-11-02T13:09:00.000-03:00</published><updated>2007-11-02T13:12:31.644-03:00</updated><title type='text'>Retorno</title><content type='html'>aquilo que perdi, há tanto, tenho agora em meu silêncio apaziguado:&lt;br /&gt;que de teu ventre em meu se construiu,&lt;br /&gt;e em grande susto em ti me trouxe um deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sangue imóvel escreve em tua boca: conheces mais de só tecer perfídia.&lt;br /&gt;do antigo amor assim severo e vasto&lt;br /&gt;procuro o passo inerte de outro beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perdão que minha fé pariu a ferro, há tanto sempre escrava de olhos fundos.&lt;br /&gt;eu mesmo pouco sei que em si se baste&lt;br /&gt;além do amargo adeus feito em carícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tão preso assim ao espaço a nós restrito, urdo em silêncio o nosso abraço cego,&lt;br /&gt;pra que tu nele vejas sem mais pressa   &lt;br /&gt;a lei de nosso amor há tanto escrita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-8618474296464852543?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/8618474296464852543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=8618474296464852543&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8618474296464852543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8618474296464852543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/11/retorno.html' title='Retorno'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-9043909733108079007</id><published>2007-10-24T23:29:00.000-03:00</published><updated>2008-12-10T14:58:14.464-03:00</updated><title type='text'>As bailarinas imóveis</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RyADt_eiLbI/AAAAAAAAAA8/eo5qC0PFeP4/s1600-h/Bailarina+Degas+I.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RyADt_eiLbI/AAAAAAAAAA8/eo5qC0PFeP4/s320/Bailarina+Degas+I.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5125100464616123826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;bailarina, bailarina&lt;br /&gt;em que silêncio repousa&lt;br /&gt;tua sapatilha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em tua silhueta branca,&lt;br /&gt;que se desenha diurna?&lt;br /&gt;em teus olhos, ilhas,&lt;br /&gt;verde planície que insere&lt;br /&gt;a concavidade de teus gestos&lt;br /&gt;na concavidade dos teus gestos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bailarina, bailarina&lt;br /&gt;em que silêncio repousa&lt;br /&gt;tua sapatilha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em que fogo flana&lt;br /&gt;e flutua a tua estátua?&lt;br /&gt;em que palácio de vento&lt;br /&gt;- ou seria o tempo -&lt;br /&gt;teu suor escorre em alma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bailarina, bailarina&lt;br /&gt;em que silêncio repousa&lt;br /&gt;tua sapatilha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;teu som, teu desprezo,&lt;br /&gt;tuas reentrâncias.&lt;br /&gt;Se fosses um verbo, serias:&lt;br /&gt;minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-9043909733108079007?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/9043909733108079007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=9043909733108079007&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/9043909733108079007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/9043909733108079007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/10/as-bailarinas-imveis.html' title='As bailarinas imóveis'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RyADt_eiLbI/AAAAAAAAAA8/eo5qC0PFeP4/s72-c/Bailarina+Degas+I.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-3899921451071603963</id><published>2007-10-14T00:49:00.000-03:00</published><updated>2007-10-14T00:53:59.421-03:00</updated><title type='text'>Afeto</title><content type='html'>talvez na mão que descansa&lt;br /&gt;em minha, pele ampulheta,&lt;br /&gt;haja rastilhos de conchas&lt;br /&gt;laceradas na marola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos dedos adormecidos&lt;br /&gt;que sob os meus se enlanguescem,&lt;br /&gt;talvez esteja o sereno&lt;br /&gt;vespertino do desejo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no tato inerme que ampara,&lt;br /&gt;as omoplatas no abraço,&lt;br /&gt;talvez haja lá, resíduo,&lt;br /&gt;orvalho, em queda sem rumo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a negação do mistério,&lt;br /&gt;enfim tornado linguagem,&lt;br /&gt;gesto, silêncio, consolo,&lt;br /&gt;fé: professada na posse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-3899921451071603963?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/3899921451071603963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=3899921451071603963&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3899921451071603963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3899921451071603963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/10/afeto.html' title='Afeto'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-1665779561645891555</id><published>2007-10-05T20:33:00.000-03:00</published><updated>2007-10-05T20:40:58.775-03:00</updated><title type='text'>Capítulo 93</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;"Pero el amor, esa palabra... Moralista Horacio, temeroso de pasiones sin una&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;razón de aguas hondas, desconcertado y arisco en la ciudad donde el amor se&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;llama con todos los nombres de todas las calles, de todas las casas, de todos los&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;pisos, de todas las habitaciones, de todas las camas, de todos los sueños, de todos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;los olvidos o los recuerdos. Amor mío, no te quiero por vos ni por mí ni por los&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;dos juntos, no te quiero porque la sangre me llame a quererte, te quiero porque&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;no sos mía, porque estás del otro lado, ahí donde me invitás a saltar y no puedo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;dar el salto, porque en lo más profundo de la posesión no estás en mí, no te&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;alcanzo, no paso de tu cuerpo, de tu risa, hay horas en que me atormenta que me&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;ames (cómo te gusta usar el verbo amar, con qué cursilería lo vas dejando caer&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;sobre los platos y las sábanas y los autobuses), me atormenta tu amor que no me&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;sirve de puente porque un puente no se sostiene de un solo lado, jamás Wright ni&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;Le Corbusier van a hacer un puente sostenido de un solo lado, y no me mires con&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;esos ojos de pájaro, para vos la operación del amor es tan sencilla, te curarás&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;antes que yo y eso que me querés como yo no te quiero. Claro que te curarás,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;porque vivís en la salud, después de mí será cualquier otro, eso se cambia como&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;los corpiños. Tan triste oyendo al cínico Horacio que quiere un amor pasaporte,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;amor pasamontañas, amor llave, amor revólver, amor que le dé los mil ojos de&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;Argos, la ubicuidad, el silencio desde donde la música es posible, la raíz desde&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;donde se podría empezar a tejer una lengua. Y es tonto porque todo eso duerme&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;un poco en vos, no habría más que sumergirte en un vaso de agua como una flor&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;japonesa y poco a poco empezarían a brotar los pétalos coloreados, se hincharían&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;las formas combadas, crecería la hermosura. Dadora de infinito, yo no sé tomar,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;perdoname. Me estás alcanzando una manzana y yo he dejado los dientes en la&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;mesa de luz. Stop, ya está bien así. También puedo ser grosero, fájate. Pero fijate&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;bien, porque no es gratuito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;¿Por qué stop? Por miedo de empezar las fabricaciones, son tan fáciles. Sacás&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;una idea de ahí, un sentimiento del otro estante, los atás con ayuda de palabras,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;perras negras, y resulta que te quiero. Total parcial: te quiero. Total general: te&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;amo. Así viven muchos amigos míos, sin hablar de un tío y dos primos,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;convencidos del amor-que-sienten-por-sus-esposas. De la palabra a los actos, che;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;en general sin verba no hay res. Lo que mucha gente llama amar consiste en&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;elegir a una mujer y casarse con ella. La eligen, te lo juro, los he visto. Como si se&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;pudiese elegir en el amor, como si no fuera un rayo que te parte los huesos y te&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;deja estaqueado en la mitad del patio. Vos dirás que la eligen porque-la-aman, yo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;creo que es al verse. A Beatriz no se la elige, a Julieta no se la elige. Vos no elegís&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;la lluvia que te va a calar hasta los huesos cuando salís de un concierto. Pero&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;estoy solo en mi pieza, caigo en artilugios de escriba, las perras negras se vengan&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;cómo pueden, me mordisquean desde abajo de la mesa. ¿Se dice abajo o debajo?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;Lo mismo te muerden. ¿Por qué, por qué, pourquoi, why, warum, perchè este&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;horror a las perras negras? Miralas ahí en ese poema de Nashe, convertidas en&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;abejas. Y ahí, en dos versos de Octavio Paz, muslos del sol, recintos del verano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;Pero un mismo cuerpo de mujer es María y la Brinvilliers, los ojos que se nublan&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;mirando un bello ocaso son la misma óptica que se regala con los retorcimientos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;de un ahorcado. Tengo miedo de ese proxenetismo, de tinta y de voces, mar de&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;lenguas lamiendo el culo del mundo. Miel y leche hay debajo de tu lengua... Sí,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;pero también está dicho que las moscas muertas hacen heder el perfume del&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;perfumista. En guerra con la palabra, en guerra, todo lo que sea necesario&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;aunque haya que renunciar a la inteligencia, quedarse en el mero pedido de&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;papas fritas y los telegramas Reuter, en las cartas de mi noble hermano y los&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;diálogos del cine. Curioso, muy curioso que Puttenham sintiera las palabras&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;como si fueran objetos, y hasta criaturas con vida propia. También a mí, a veces,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;me parece estar engendrando ríos de hormigas feroces que se comerán el mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;Ah, si en el silencio empollara el Roc... Logos, faute éclatante. Concebir una raza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;que se expresara por el dibujo, la danza, el macramé o una mímica abstracta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;¿Evitarían las connotaciones, raíz del engaño? Honneur des hommes, etc. Sí, pero&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; font-family: times new roman;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;un honor que se deshonra a cada frase, como un burdel de &lt;span style="font-size:100%;"&gt;vírgenes si la cosa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: times new roman;"&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="" lang="ES-TRAD"&gt;fuera posible."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Julio Cortázar - Rayuela)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-1665779561645891555?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/1665779561645891555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=1665779561645891555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1665779561645891555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1665779561645891555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/10/captulo-93.html' title='Capítulo 93'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6706393128670107370</id><published>2007-10-03T22:09:00.001-03:00</published><updated>2007-10-03T22:09:59.991-03:00</updated><title type='text'>Breve estudo sobre o afeto (Parte II - Da perfídia)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Eu quero chupar o teu pau, disse Luiza do outro lado da mesa, baixo o suficiente para ser discreta, e alto o bastante para chegar até mim – só até mim – com uma nitidez aterradora. Eu relanceei a cabeça um pouco atordoado, larguei a mão de Lorena e fui limpar os óculos na barra da camisa. Enquanto olhava para baixo, eu imaginava Luiza rindo para todos, lá, no canto, com aquela boca fina e triste que agora me dizia querer chupar o meu pau. Notei que passava mais tempo que o comum na limpeza dos óculos, e, para que Lorena não reparasse no meu sobressalto, disse-lhe que ia ao banheiro lavar as lentes. Ergui-me sem pressa, olhando perdido para um lado e para outro, e franzi o cenho como se buscasse a nitidez que a miopia me roubara. Poderia ter ido pelo outro lado da mesa, dando a volta por trás de Lorena, mas quis ir adiante. Esgueirei-me pelas cadeiras apertadas, sorri para um, para outro, e não evitei roçar no ombro de Luiza a minha coxa febril. Senti um perfume que só podia ser seu, porque era o oposto do de Lorena (tão iguais, as duas, mas de fato tão diversas). Cheguei então ao banheiro, e estava fechado. Aguardei um pouco, apoiando-me na murada da escada, com medo de olhar para a mesa, num misto exato de culpa e desejo. Rodrigues saiu enfim do banheiro, e me sorriu em exagero, com aquele jeito bufão e estúpido que ele representava com ingênua sagacidade. Ele quis começar uma conversa, eu sorri constrangido, disse algo sobre uma necessidade urgente, e nem esperei sua resposta para entrar no banheiro. Não tranquei o ferrolho, e sabia que isso era um desafio a mim mesmo. Abri a torneira, e o barulho da água na pia ressoou intensamente. Havia não apenas a iminência do perigo, que a asfixia do banheiro deixava mais forte: mais violenta mesmo era a sensação de liberdade, de estranha liberdade. A porta estava aberta, nada mais. No fundo, era uma estupidez achar que Luiza não estava brincando, só para provocar. Aquilo sim era um constante desafio a ela. Continuei enxaguando as lentes, agora pacificado. Não sei bem quanto tempo fiquei ali, lavando os óculos, mas quando ouvi a porta se abrindo, e logo em seguida se fechando, e o barulho do ferrolho se fez ligeiro e ágil, e uma nítida fragrância denunciou aquele corpo agora presente, eu não precisei abrir os olhos para saber que estava perdido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6706393128670107370?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6706393128670107370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6706393128670107370&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6706393128670107370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6706393128670107370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/10/breve-estudo-sobre-o-afeto-parte-ii-da.html' title='Breve estudo sobre o afeto (Parte II - Da perfídia)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-602854629059327631</id><published>2007-09-29T00:16:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T00:25:54.638-03:00</updated><title type='text'>Desprezo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;mulher tu que em silêncio nutres o mais temido dos amores achas que de mim vais tirar saliva ou mesmo esperma com teus gestos de langor teu langor mulher tu bem sabes que só me gera desprezo só me vem assim como logro como fantasia de pouca validade mulher tu que vives longe porque mal conheces a ti mesma queres jogar comigo uma dor que é tua só tua só tu a poderás domar a poderás cingir em teu peito a ponto de sufocá-la ou mesmo de retê-la tesa em tua covardia atávica mulher finges diálogo com o mundo quando falas apenas de teu personagem e queres ouvir-me bajular tua beleza sem poesia tua beleza mais triste que teus olhos mulher há tanto de distância em tuas palavras vazias há tanto de renúncia em teu desespero secreto porque finges que eu não sei que tu sabes de tua fraqueza indigna finges saber que desconheces tua força essa força tão mal empregada em exigências de atenção mulher tu és só e só tens a ti nessa lida infeliz nesse destino cada vez mais certo de ser injusto ou não ou justo em seu traçado sem regra mulher não há regra que reja os gestos de carinho em si esvaziados esses que de longe tu jogas como adeuses porque só eles os adeuses são os únicos que sem medo pode jogar essa que de amar só conhece o egoísmo e essa és tu mulher em constante mendicância ai ai achas que alguém há de te conceder a graça de uma paixão sem conseqüências como se na matéria estivesse só o grosso de nossa vida em miséria mas não mulher não podes exigir do tempo mais do que a ele ofereces e é esse o teu erro mulher pedir que outro corpo preencha o oco do teu próprio esse oco sem eco que carregas em teu peito mulher em tua solidão feminina de tão óbvia precariedade que eu desprezo desprezo como o tédio como a fruta sem casca como o medo da morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-602854629059327631?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/602854629059327631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=602854629059327631&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/602854629059327631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/602854629059327631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/09/desprezo.html' title='Desprezo'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-8181824687960390918</id><published>2007-09-26T17:49:00.000-03:00</published><updated>2007-09-26T17:52:48.574-03:00</updated><title type='text'>Amor líquido</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;O que é líquido – não sangue –&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Que também corre apressado,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;E a pele em peleja alija?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Foge, homem, foge, que é mar,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Que é mar o tempo, delta, foz,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;No sal imóvel, na areia,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;E em tudo o mais que atravessa&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;O exílio de um corpo em outro.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;É liquido o gesto em fuga&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;O esmo em fuga, a fuga, o gesto;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;É também líquido o dente&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;– jamais a mordida –, a boca&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;– nunca o silêncio, ou os adeuses –;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Porque líquido é o apreço&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Que pagaremos em débito,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Por essa vida que desce,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Como calda, saliva, esperma.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Nada de sumo ou de seiva:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Nada a nutrir o degredo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;É tudo líquido e espesso,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Embora cão ou maçã&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Não o seja: nem pessoa.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;É líquido o fogo em chamas,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Na lenta espera do tédio.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;***&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;A mão que gere outra mão,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;No parto interno do corpo,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;É tão líquida – essa mão –&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Como o descanso nos lábios,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Depois de findo o mistério:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;De tanto cavar o peito,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Eis que então surge a golfadas,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Amores coagulados.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-8181824687960390918?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/8181824687960390918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=8181824687960390918&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8181824687960390918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8181824687960390918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/09/amor-lquido.html' title='Amor líquido'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-4702580052827692615</id><published>2007-09-23T03:30:00.000-03:00</published><updated>2007-09-23T03:32:20.701-03:00</updated><title type='text'>Tempo</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; font-family: times new roman;" align="right"&gt;a Tiago Germano&lt;/p&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Coser o tempo no corpo,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Tê-lo no colo, calado.&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Sempre no que há de silêncio,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Sem exagero no gosto.&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;E vê-lo no osso que quebra&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Sem dor, entre o adeus e o abraço:&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Para além de só vivê-lo,&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Vivê-lo só, como enxerto,&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Como uma janela em casa&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Sem janelas, brisa escura,&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;Que deanda num mar, sem porto,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Pelo naufrágio das horas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-4702580052827692615?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/4702580052827692615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=4702580052827692615&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4702580052827692615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4702580052827692615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/09/tempo.html' title='Tempo'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-8678185734109014191</id><published>2007-09-11T15:04:00.000-03:00</published><updated>2007-09-11T18:04:12.483-03:00</updated><title type='text'>Breve estudo sobre o afeto (Parte I - Dos Adeuses)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;O sufoco que Miguel sentiu foi tão físico que achou que não suportaria presenciar toda a cena, achou até melhor virar-se e sair, sem acompanhar em seus pormenores a partida de Desirée, que ele já imaginava diariamente nas últimas quatro semanas. Não era apenas a perda, expressa nos olhos ainda marejados que se eximiam de observar o ônibus partindo – ônibus que carregava não só um sem-número de homens e mulheres em desterro, retesados e fúnebres em seus assentos, sem a mínima idéia da vida que iriam levar nos próximos anos, mas crentes que seria algo melhor que o inferno pessoal em que cada um se via imerso, mas sobretudo uma esperança brutal, poderosa, que alimentava tanto aquela viagem inesperada, quanto o sobrepujo de amor que todos rogavam que surgisse na primeira esquina de sua nova cidade –, mas também o medo que ele estava seguro de não mais vencer, o medo da morte, da morte do amor, de restringir toda a história de sua vida ao recorte daquela separação: ela ia, ele ficava. Para quem fica, sobra a certeza de reconstruir a vida em nova chave, ocupar os espaços antes habitados pelos objetos &lt;i&gt;dela&lt;/i&gt;, pelo jeito insidiosamente organizado com que ela punha os livros na estante – por gênero, sobrenome do autor, categoria literária e tamanho do volume – que ele sempre bagunçava por nunca entender a lógica taxionômica que regia as ordenações de Desirée. E essas lacunas – que, inicialmente, Miguel achava que eram poucas – se foram rapidamente multiplicando, até o ponto de cada canto do pequeno apartamento que dividiram nos últimos oito anos estar incolumemente marcado pelo toque &lt;i&gt;dela&lt;/i&gt;, com as cores que ela sugerira, os móveis que ela escolhera, com a tapeçaria de temas indianos que ele sempre achara horrível, mas que, incrivelmente, permaneceu com ele nos espólios da separação. Miguel não sabia até que ponto essas coisas que eram &lt;i&gt;dela&lt;/i&gt; – não porque tivera comprado, mas porque deixara naqueles objetos a marca que os torna não meramente utensílios materiais do mundo cotidiano, mas, e sobretudo, parte integrante de uma vida compartilhada, cujo sentido íntimo era percebido apenas pelos dois – tinham ficado com ele por casualidade operacional, vontade dela de ainda que minimamente permanecer no apartamento, ou por um desespero indevassável que assomou Miguel quando enfim se deu conta de que Desirée partia, de que ela viveria noutra cidade, compartilharia outras amizades, abriria as portas de seu corpo a outros homens, a outros homens que não ele.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-8678185734109014191?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/8678185734109014191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=8678185734109014191&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8678185734109014191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8678185734109014191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/09/estudo-sobre-os-envolvimentos-afetivos.html' title='Breve estudo sobre o afeto (Parte I - Dos Adeuses)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-4205501705510378856</id><published>2007-09-09T10:54:00.000-03:00</published><updated>2007-09-09T11:02:18.099-03:00</updated><title type='text'>Soneto Inglês</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando o meu passo a ir por pedras pretas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Segue-se ao sol que a noite tênue traga,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ou quando estanco, e o afã enfim afaga&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A forte falta de róis, ruas, retas;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando em mim alma alguma se correta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sigo-me ao sul, que o norte torto traga;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando a lama enche o charco que me alaga,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E ao largo aceno em busca ao que me arrecta;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quando procuro pôr pra mim: há meta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Que valha a vida assim, há preço, há paga?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Há o que supra o brilho que se apaga,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ou só seguir nos basta, como setas?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: times new roman;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Respostas não pôr posso. Digo apenas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: times new roman;"&gt;Que grandes livros têm letras pequena&lt;/span&gt;s.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-4205501705510378856?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/4205501705510378856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=4205501705510378856&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4205501705510378856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4205501705510378856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/09/soneto-ingls.html' title='Soneto Inglês'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-3899784119752845512</id><published>2007-07-17T00:53:00.000-03:00</published><updated>2007-07-17T01:08:43.512-03:00</updated><title type='text'>cindida cidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;dos prazeres não satisfeitos, a tua lembrança é a que mais me maltrata. mesmo como resíduo de um tempo nebuloso, pó mesmo, assim, que nas pálpebras quedou-se cristalino e puro. faço minha janela de meus olhos, e me jogo para além dos prédios, além das ruas tumultuadas, dos carros na fuga do martírio, dos homens em pesadelo; percebo mais que o tato nas paredes sem reboco, mais que as horas em espera do naufrágio. essa é a cidade que habito, e que do alto perscruto como um coitado em busca de salvação. essa a cidade, em silêncio nunca apascentado, que de mim pede a vida em troca de luz. isso, escura que é, me exige e me persegue: não sou daqui, então, me deixe! e agora, que sei mais da saudade como presença que da beleza como retrato, me farto em achar impossível outra vida que não a de trânsito constante: só pertenço à falta daquilo que nunca fui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-3899784119752845512?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/3899784119752845512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=3899784119752845512&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3899784119752845512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3899784119752845512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/07/cindida-cidade.html' title='cindida cidade'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-7379805882788249226</id><published>2007-06-29T02:25:00.000-03:00</published><updated>2008-12-10T14:58:14.736-03:00</updated><title type='text'>Estilhaços</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RoSZc2f4qKI/AAAAAAAAAAk/LDeTRmJn2IE/s1600-h/IMG_4404.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RoSZc2f4qKI/AAAAAAAAAAk/LDeTRmJn2IE/s200/IMG_4404.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081355000525400226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;os juntos,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;que se expedem em naufrágio,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;as bocas,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;que se ancoram em degredo,&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;como em lance de adeus, ou num soluço&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;esvai-se o meu palácio em brisa e espanto&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;o medo, que do amor exige o estrago&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;o tudo&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;e longe agora que se esconde&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;posso reger, do peito, entre as vidraças&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;um solo de metais a Charlie Parker&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-7379805882788249226?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/7379805882788249226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=7379805882788249226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7379805882788249226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7379805882788249226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/06/estilhaos.html' title='Estilhaços'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RoSZc2f4qKI/AAAAAAAAAAk/LDeTRmJn2IE/s72-c/IMG_4404.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-3273399881612132801</id><published>2007-06-20T19:08:00.000-03:00</published><updated>2007-06-20T19:10:25.606-03:00</updated><title type='text'>Casal</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Ela chegou em casa, com os cabelos pintados de vermelho.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E aí?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Saulo olhou do sofá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Legal, você fez hoje?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Isso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E voltou a olhar a TV.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Você gostou da tonalidade?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vermelho, né?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Vermelho sangue.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Você vai deixar pra sempre?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pra sempre? Sei lá! Que pergunta...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ninguém hoje em dia sabe o que quer. Fica aí, mudando de cara pra ver se muda o destino medíocre dessa vida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyText"&gt;Eita, precisa falar dessa forma? Queria só mudar um pouco, tem por acaso que ficar sempre do mesmo jeito?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Saulo a ouvia, embora olhasse ainda a TV.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela se irritou e seguiu para a cozinha.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Você ‘tá com fome?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tem pastel de forno, não quer?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não foi isso que comemos ontem?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-3273399881612132801?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/3273399881612132801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=3273399881612132801&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3273399881612132801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/3273399881612132801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/06/casal.html' title='Casal'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-2256033229521846991</id><published>2007-06-16T21:42:00.000-03:00</published><updated>2008-12-10T14:58:14.853-03:00</updated><title type='text'>Identidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RnSEeUDsHdI/AAAAAAAAAAc/rvRQadC1ZkE/s1600-h/Identidade.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RnSEeUDsHdI/AAAAAAAAAAc/rvRQadC1ZkE/s400/Identidade.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5076828336268516818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-2256033229521846991?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/2256033229521846991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=2256033229521846991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2256033229521846991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2256033229521846991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/06/identidade.html' title='Identidade'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_R5vuDcU_GVY/RnSEeUDsHdI/AAAAAAAAAAc/rvRQadC1ZkE/s72-c/Identidade.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-2459086683201889072</id><published>2007-06-02T02:54:00.000-03:00</published><updated>2007-06-02T02:57:18.857-03:00</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sim, é verdade. Ela queria pegar aquele barulho (ela queria reter aquele ruído). Estava assim, sobre seus pés, vapor que era, e líquido (e líquido cinza...). Nunca que em outro tempo houve mais beleza, em seus olhos tristes, que quando quis tornar real aquilo que há muito já sabia como certeza. É a única vantagem da solidão, disse-me certa vez: ter realmente fé nas coisas estúpidas que dão sentido a nossa vida. Ela teria me dado razões pra achar que estava ficando louca, se eu não soubesse do esforço que fazia pra manter vivo aquele seu coração devastado. Sim, ela queria gozar daquele silêncio (ela queria entender aquele sussurro), mas não sem ânimo, não aos pedaços. Suas mãos – sempre nervosamente aturdidas – seguraram as minhas com a graça que há nas pessoas com medo; e em minhas mãos eu senti o suor das suas, um suor quente e árido, que emanava um sabor de carícias. Antes da despedida, tudo isso, sempre muito forte na imagem que ficou de seus lábios finos, sim, é verdade, ela era uma mulher infeliz. Há dias, me recordo, acreditei entrevê-la na multidão da rua, e ela caminhava sem pressa, olhando resignada ao redor de si, tentando ver se a vida era mesmo circular. E eu, como andasse na direção oposta, segui o meu caminho sem rumo: vendo hoje, é aí que descubro que não, é mentira, a vida é reta, cega e fácil, vamos caminhando pra um único fim, que é sempre domingo. E agora, restam-me apenas as minhas mãos, e meu olfato infantil tentando encontrar nelas aquele suor que se misturou ao meu, aquela carícia perdida. Várias vezes, desde que nos separamos pela primeira vez, eu a via e tentava reconhecer em seus traços a força do tempo, os sulcos se adensando na face envelhecida, o corpo se deformando, se diluindo. Mas, depois que ela se ia, minha memória sempre recorria a algum arquivo antigo, feliz e luminoso, pra suplantar aquela nova imagem difusa e infiel: de fato – e hoje o sei com imensa convicção – isso de minha memória lutar pra manter intacta uma lembrança purificada, de nosso tempo juntos, era a resposta de meu coração a um amor que ainda soluçava baixinho, lá no fundo, por mais que eu tentasse abafar aquele gemido. É verdade, sim, é verdade. Impossível mesmo aquele amor, em tudo que havia, de tudo que éramos. Sua tristeza perene, desde a menina com olhos opacos que conheci há tanto, permanece ainda hoje, para além de suas pálpebras resignadas. Tive com outras mulheres, com todas, e sempre mantive clara a certeza de que era meu corpo que demandava atenção, que uma companhia casual, numa noite fria, apaziguaria minha solidão indevassável. Sim, é talvez ainda mais verdade. Ela tem os olhos dormentes de cansaço, e ainda assim é mais bela que tudo. Disse-lhe certa vez, com sinceridade: você fica mais bonita a cada ano. E ela retrucou, séria: eu sei, é que eu aprendi a sofrer. No caso dela (afinal, no nosso caso), foi somente esse lençol de rosas que serenou sua hemorragia há tanto incontrolada; e eu, como um coitado, fiquei aqui a descoser, pétala a pétala, essa coberta rubra (a mais de caule, raiz e terra dura), na procura insana de reaver aquele coração que eu possuí, e que nunca foi meu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-2459086683201889072?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/2459086683201889072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=2459086683201889072&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2459086683201889072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2459086683201889072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/06/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-384218213126344285</id><published>2007-05-28T02:57:00.000-03:00</published><updated>2007-05-28T03:00:10.140-03:00</updated><title type='text'>Pouca noite</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É madrugada, mas parece que acabei de acordar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Talvez de madrugada só haja mesmo esse &lt;i&gt;jazz&lt;/i&gt; langoroso acompanhando o ir e vir desse texto, que já há uma hora tento escrever. E o frio, sim, o frio da madrugada – a quem, como eu, esteve sempre muito bem apascentado na brisa quente de João Pessoa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O coração, ainda coagido pela necessidade de um sono que se perdeu, tenta conter a febre de mais um dia silencioso e triste. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;As unhas de minhas mãos – ou o que sobrou delas – nutrem minha ansiedade noctívaga. Mas que danado eu espero, agora, dentro da noite tranqüila, só em meu quarto escuro? Além de tudo, é domingo. Amanhã – ou diria, daqui a pouco – o sol e a vida voltarão, e o barulho, o tédio, a distância interdita...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Perdoem-me, mas tentei.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não me sai mais nada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vou ler algo, na cama, pescar um pouco de sono.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E quem sabe amanhã todo o resto faça sentido...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-384218213126344285?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/384218213126344285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=384218213126344285&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/384218213126344285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/384218213126344285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/05/pouca-noite.html' title='Pouca noite'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-1191057770516213815</id><published>2007-05-09T21:11:00.000-03:00</published><updated>2007-05-10T01:12:00.079-03:00</updated><title type='text'>A moça com brinco de pedras</title><content type='html'>A beleza, em tuas pernas, n'eu:&lt;br&gt;sei como possuir-te, mas longe de mim,&lt;br&gt;em outro espaço inabitado,&lt;br&gt;em tempo distante.&lt;br&gt;Tua beleza, calma e fina, longe de mim.&lt;br&gt;Tua beleza é muito triste.&lt;br&gt;&lt;!-- multiply:no_crosspost --&gt;&lt;p class='multiply:no_crosspost'&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-1191057770516213815?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/1191057770516213815/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=1191057770516213815&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1191057770516213815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1191057770516213815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/05/moa-com-brinco-de-pedras.html' title='A moça com brinco de pedras'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-5900185410800686262</id><published>2007-04-27T18:39:00.000-03:00</published><updated>2007-04-27T22:39:22.870-03:00</updated><title type='text'>Vestida de nanquim</title><content type='html'>Ela sorria.&lt;br&gt;De seu corpo nu eu tirava o suor.&lt;br&gt;Eu lambia o suor.&lt;br&gt;Sorriso de mentira.&lt;br&gt;Fingia até sorrir ao me chupar.&lt;br&gt;Tentava se engasgar com meu pau.&lt;br&gt;Pulava em meu colo, gritava.&lt;br&gt;Em meu colo.&lt;br&gt;Nua, de papel.&lt;br&gt;Cabelos loiros e duros.&lt;br&gt;Buceta fina e cheirosa.&lt;br&gt;Mal-cheirosa.&lt;br&gt;Gritava, em meu colo.&lt;br&gt;Num gozo de plástico.&lt;br&gt;Depois saía, sorrindo.&lt;br&gt;Sorrindo.&lt;br&gt;E com o dízimo.&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;!-- multiply:no_crosspost --&gt;&lt;p class='multiply:no_crosspost'&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-5900185410800686262?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/5900185410800686262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=5900185410800686262&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5900185410800686262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5900185410800686262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/vestida-de-nanquim.html' title='Vestida de nanquim'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-7463050682415668076</id><published>2007-04-23T05:39:00.000-03:00</published><updated>2007-04-23T05:42:09.668-03:00</updated><title type='text'>Entrechoque</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Infiel a todas as coisas realmente importantes, renegado que esteve durante tanto tempo a um limbo de solidão e espera, ele re-encontrou enfim a mulher que desde há tanto ocupara sua mente e seu coração, com a paz resignada da fé que acha repouso nos atos simples sem provação. Ele a viu, primeiro de relance, ao longe, no outro lado da rua; talvez mesmo já muitas vezes tivessem se cruzado sem se verem, tivessem um saído de um lugar e o outro entrado logo após, segundos apenas separando um encontro que noutra época certamente traria conseqüências devastadoras. Mas – logo após aquele dia – ele se viu diante da certeza de que o mundo deu todas aquelas voltas, evitou demasiado aquele encontro porque, embora inevitável, só poderia ocorrer quando ele finalmente tivesse plena consciência do tamanho de sua paixão, de até onde o levaria aquele sentimento incontrolável e da intensidade de sua fraqueza diante do destino: foi somente ao se entregar de vez, sem restrições ou temores, àquela paixão que o consumia, que ele pôde enfim esquecê-la. E então aquele momento que tantas vezes ocupou sua imaginação fértil, que tanto foi objeto de conjecturas mil, que feriu tanto sua pobre alma taciturna, entregue ao fogo indelével daquela paixão sem limites, enfim, aquele momento, quando de sua realização concreta – sem os cortes e as fissuras das lembranças esparsas –, foi apenas uma breve troca de cumprimentos furtivos, alguns segundos de sorrisos simpáticos e amenos, um ‘há quanto tempo?’ que não escondia a leveza de sua afirmativa (pois foi ao perguntar-lhe isso que ela o fez reconhecer a quantidade infinita de anos, meses, dias que se passaram desde a última despedida). E após esse entrechoque inadvertido (embora há tanto tempo esperado), quando os dois lançaram mãozinhas de adeuses e seguiram sem pressa para lados opostos daquela rua movimentada, ele então se sentiu leve como há muito não se sentia, livre de um peso que carregara, como um condenado, durante tanto tempo em sua vida, e assim pôde seguir, em serena harmonia com as coisas ao redor, para a morte que não tardaria a abater sua vida agora sem sentido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-7463050682415668076?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/7463050682415668076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=7463050682415668076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7463050682415668076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/7463050682415668076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/entrechoque.html' title='Entrechoque'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-8855291043860424477</id><published>2007-04-20T03:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T12:49:05.021-03:00</updated><title type='text'>Correspondência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi com esmero e carinho que eu circulei o nome dela nas costas do envelope. Eu me mantinha parado, uma mão coçando a barba, a outra com a carta entre os dedos, e recorria ao bom-senso pra tentar entender o disparate daquela sensação que me invadia. Era um fim de tarde quente e abafado, e, por mais que eu morasse a alguns metros do mar, nenhuma brisa surgia pra arrefecer o meu corpo em agito. Levantei-me, caminhei pra lá e pra cá na varanda estreita, tentando acalmar o jorro de lembranças que minha cabeça destilava. Não pode ser, pensei, enquanto me encostava à sacada, entrevendo ao longe o burburinho de carros e pessoas na afluência contínua dessa cidade em trânsito. Confirmei mais uma vez, reparando com cuidado, aquele nome que minha atenção guardara sem pudicícia. Não pude deixar de perceber, tão logo meus olhos caíram sobre a carta, o nome em destaque, num círculo delineado com excessivo apuro. Talvez seja engano, pensei em legítima desculpa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Patrícia depôs os livros sobre a mesa, um tanto esbaforida, e veio até mim. Acabara de chegar do trabalho e, como sempre, trazia consigo mais coisas pra fazer. Recolhi rapidamente a carta, coloquei-a de volta na pasta, e abracei Patrícia com o suor de um calor implacável, e com o calor de uma febre moral. Ela ainda transpirava o perfume que pusera pela manhã, e tinha na pele a aspereza que a fumaça dos carros no centro da cidade deixa impregnada. ‘Tá com fome, ela me perguntou, como se aquele (ela o jamais suspeitara) fosse realmente um dia qualquer. Não, respondi, e voltei à varanda. Ela seguiu em direção ao quarto, tirando já o blazer e desenlaçando o cinto: alguém ligou, ela perguntou do banheiro, mas eu não respondi, e deixei que ela aproveitasse o relaxamento que aquele banho ainda poderia lhe proporcionar.&lt;br /&gt;Fiquei escutando o barulho da água devassando os cômodos, perdido que estava em pensamentos confusos e distantes. Talvez houvesse saída para aquilo que eu sentia, afinal, como pode um nome apenas – letras que são, desenhadas em papel qualquer – atordoar de tal forma um homem que há muito já escolhera o caminho a que seguir? O céu, eu via, ia escurecendo sem pressa, caindo aos pedaços na noite insegura. Havia motivo, de fato, pra me sentir assim? Não, não, eu não podia me envergar dessa forma, presa de um aperto no peito que, sem dúvida, só atrapalharia minha vida em provação. Saí da varanda, atravessei decidido a sala de estar, entrei na cozinha e de lá retornei com um cerveja. Ao beber o primeiro gole, reparei que o som do chuveiro cessara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Permaneci ainda algum tempo, sentado no sofá da sala, olhando sem atentar ao jornal da noite que passava na televisão. Tentava abstrair meus pensamentos desses descaminhos que me surgiam e me sufocavam quase ao exagero. Não demorou muito e Patrícia retornou, enxugando ainda os cabelos longos e negros. Ela então se sentou no sofá – se jogando ao meu lado – e quis atentar ao que dizia o âncora no jornal. Posso beber do seu copo, ela inquiriu, apontando pra minha cerveja. Claro, meu amor, eu retruquei, inalando o cheiro doce e lânguido do corpo recém-banhado, livre daquelas roupas taciturnas do cotidiano, solto enfim naquele vestido caseiro que tão bem delineava a silhueta de seus seios firmes, de sua cintura e de seu ventre bem desenhado. Você está muito bonita, disse eu com toda a sinceridade do mundo, embora, naquele momento, meu coração batesse sobressaltado por causa de outra mulher.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-8855291043860424477?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/8855291043860424477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=8855291043860424477&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8855291043860424477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/8855291043860424477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/correspondncia.html' title='Correspondência'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-1724429291384784889</id><published>2007-04-20T01:23:00.000-03:00</published><updated>2007-04-20T01:25:39.181-03:00</updated><title type='text'>Mme. Bovary, parte III, capítulo 01</title><content type='html'>“– Aonde o senhor deseja ir? Perguntou o cocheiro.&lt;br /&gt;– Onde você quiser! Disse Léon empurrando Emma para dentro da carruagem.&lt;br /&gt;E a pesada máquina pôs-se a caminho.&lt;br /&gt;Desceu a rua Grand-Pont, atravessou a praça des Arts, o cais Napoléon, a Pont Neuf e deteve-se de repente diante da estátua de Pierre Corneille.&lt;br /&gt;– Continue! Disse uma voz que saía do interior. O carro partiu novamente e, deixando-se levar pelo declive a partir da encruzilhada La Fayette, entrou a galope pela estação da estrada de ferro.&lt;br /&gt;– Não, em frente! Gritou a mesma voz.&lt;br /&gt;O fiacre saiu do portão gradeado e, tendo em breve chegado à alameda, foi trotando suavemente no meio dos grandes olmos. O cocheiro enxugou a testa, pôs o chapéu de couro entre as pernas e dirigiu a carruagem para fora das alamedas laterais, à beira d’água, perto da relva.&lt;br /&gt;Ela foi andando ao longo do rio, no caminho de sirga recoberto de calhaus ásperos e por muito tempo pelos lados de Oyssel, mais além das ilhas.&lt;br /&gt;Porém, repentinamente, lançou-se com um salto através de Quatremares, Soteville, a Grande-Chaussée, a rua d’Elbeuf e parou pela terceira vez diante do Jardin des Plantes.&lt;br /&gt;– Vá em frente! Exclamou a voz com ainda maior fúria.&lt;br /&gt;E retomando logo sua corrida, ela passou por Saint Sever, pelo cais dos Curandiers, pelo cais dos Meules, mais uma vez pela ponte, pela praça do Champs-de-Mars e atrás dos jardins do hospital, onde alguns velhos de casaco preto passeavam ao sol ao longo de um terraço coberto por heras verdes. Subiu novamente o bulevar Bouvreuil, percorreu o bulevar Cauchoise, em seguida todo o Mont-Riboudet até a encosta de Deville.&lt;br /&gt;Voltou; e então, sem direção nem destino, ela vagabundeou ao acaso. Foi vista em Saint-Pol, em Lescure, no monte Gargan, na Rouge-Mare e na praça do Gillard-bois; na rua Maladrerie, na rua Dinanderie, diante de Saint-Romain, Saint-Vivien, Saint-Maclou, Saint-Nicaise, – diante da Alfândega, – na Basse-Vieille – Tour, na Trois-Pipes e no cemitério monumental. De tempos em tempos, o cocheiro, em seu assento, lançava olhares desesperados às tabernas. Não compreendia que furor de locomoção levava tais indivíduos a não quererem deter-se. Procurava fazê-lo, algumas vezes, e logo ouvia atrás de si exclamações de cólera. Então fustigava ainda mais seus dois matungos cobertos de suor, mas sem preocupar-se com os solavancos, esbarrando ora aqui ora acolá, sem se preocupar, arrasado e quase chorando de sede, de cansaço e de tristeza.&lt;br /&gt;E no porto, em meio aos carroções e aos barris, e nas ruas, nos marcos das encruzilhadas, os burgueses esbugalhavam os olhos assombrados diante daquela coisa tão extraordinária na província, uma carruagem com os estores fechados e que aparecia assim continuamente, mais fechada do que um túmulo e sacudida como um navio.&lt;br /&gt;A certa altura, no meio do dia, em pleno campo, quando o sol atingia com maior intensidade as velhas lanternas prateadas, uma mão nua surgiu por entre as cortinas de pano amarelo e jogou pedacinhos de papel, que foram levados pelo vento e caíram longe, como borboletas brancas num campo de trifólios vermelhos, todo florido.&lt;br /&gt;Por fim, lá pelas seis horas, o fiacre parou numa ruela do bairro Beauvoisine e dele saiu uma mulher, que se afastou, com o véu abaixado, sem se voltar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flaubert, enfim. Como uma oração&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-1724429291384784889?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/1724429291384784889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=1724429291384784889&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1724429291384784889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/1724429291384784889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/mme-bovary-parte-iii-captulo-01.html' title='Mme. Bovary, parte III, capítulo 01'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-2517949142602004498</id><published>2007-04-19T00:16:00.000-03:00</published><updated>2007-04-19T00:18:01.931-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A cigarette, as if a smoke could fill up my lost illusions, a beer – a cold and lonely beer – and my empty little heart: that’s all I need, while I still believe in love.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-2517949142602004498?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/2517949142602004498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=2517949142602004498&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2517949142602004498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/2517949142602004498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/cigarette-as-if-smoke-could-fill-up-my.html' title=''/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6527287707592668144</id><published>2007-04-18T20:45:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T21:01:02.225-03:00</updated><title type='text'>Casa casinha casebre</title><content type='html'>Depois de uma tarde inteira arrumando os cacos e os trambolhos do meu apartamento, ao som do mais recente disco do Broken Social Scene (e algo de Elliot Smith...), eis-me aqui, só pra avisar, mais uma vez, que sobrevivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Handjobs for the holidays&lt;br /&gt;(Broken Social Scene)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Let me take you on, we'll get high just a little. Try to surface your god.&lt;br /&gt;We  don't come inside.&lt;br /&gt;Has it brought you closer to this, and has it brought you  closer to this.&lt;br /&gt;And is it coming alive, too tired to believe it.&lt;br /&gt;Was the  question a point, i don't want your love.&lt;br /&gt;Has it brought you closer to this,  and has it brought you closer to this.&lt;br /&gt;We've got eyes that leave us in places  we don't see.&lt;br /&gt;We've got eyes that leave us in places we don't see.&lt;br /&gt;Let me  take you on, we'll get high just a little.&lt;br /&gt;Come take some fun, we don't come  at all.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Between the bars&lt;br /&gt;(Elliot Smith [mas pode ser contada pela Madeleine Peyroux...])&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;drink up, baby, stay up all night&lt;br /&gt;the things you could do, you won't but you  might&lt;br /&gt;the potential you'll be, that you'll never see&lt;br /&gt;the promises you'll  only make&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;drink up with me now and forget all about the pressure of  days&lt;br /&gt;do what I say and I'll make you okay and drive them away&lt;br /&gt;the images  stuck in your head&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;people you've been before that you don't want around  anymore&lt;br /&gt;that push and shove and won't bend to your will&lt;br /&gt;I'll keep them  still&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;drink up, baby, look at the stars&lt;br /&gt;I'll kiss you again between  the bars where I'm seeing you&lt;br /&gt;there with your hands in the air, waiting to  finally be caught&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;drink up one more time and I'll make you mine&lt;br /&gt;keep  you apart deep in my heart separate from the rest&lt;br /&gt;where I like you the best  and keep the things you forgot&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;the people you've been before that you  don't want around anymore&lt;br /&gt;that push and shove and won't bend to your  will&lt;br /&gt;I'll keep them still.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-_______________________________________________-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6527287707592668144?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6527287707592668144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6527287707592668144&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6527287707592668144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6527287707592668144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/casa-casinha-casebre.html' title='Casa casinha casebre'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-4203741395993854642</id><published>2007-04-18T00:38:00.000-03:00</published><updated>2007-04-18T00:43:03.799-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>queria ter aprendido grego, pra saber mais de Penélope,&lt;br /&gt;alemão, pra ouvir Wagner, e russo -&lt;br /&gt;óbvio - pra ler Dostoievski sem culpa;&lt;br /&gt;ter colocado um piercing, pra gozar da dor e&lt;br /&gt;uma tatuagem que me lembrasse um amor de outrora;&lt;br /&gt;queria ter mais fotografias de momentos felizes,&lt;br /&gt;ter mais memórias de imagens distantes,&lt;br /&gt;mais palavras com outros sentidos;&lt;br /&gt;queria ter visto mais filmes de mãos dadas,&lt;br /&gt;ter lido mais livros madrugada a dentro;&lt;br /&gt;queria saber de cor o relevo colorido de teu cabelo,&lt;br /&gt;queria sambar de corpo levo, dolorido e belo;&lt;br /&gt;queria – ah, como queria! – não te ter dito adeus e&lt;br /&gt;ter mantido claro o perfume de teu pescoço.&lt;br /&gt;Se me disserem que a vida é de escolhas, retruco: a vida é de perdas.&lt;br /&gt;queria ter passado mais tempo com quem hoje de mim nem se lembra;&lt;br /&gt;queria de meus amigos mais silêncios cúmplices numa sala de aula;&lt;br /&gt;queria de minha fé mais força dentro da noite veloz;&lt;br /&gt;queria ter feito um curso de Braille, de windsurfe e de pintura à nanquim,&lt;br /&gt;ter ralado mais os joelhos na calçada da frente,&lt;br /&gt;ter construído mais castelos de areia na praia tão próxima;&lt;br /&gt;queria ter cantado outras canções fora do tom e&lt;br /&gt;comido sem penitência cada doce da minha infância;&lt;br /&gt;queria ter dito o que disse, mas de outra forma;&lt;br /&gt;queria ter re-escrito um verso ruim, mas muito verdadeiro;&lt;br /&gt;queria ter contado mais mentiras,&lt;br /&gt;negado mais verdades;&lt;br /&gt;Se me falarem, ainda que olhando em meus olhos, que a esperança continua, digo, sem pressa: tudo passa.&lt;br /&gt;queria ter desligado a atenção quando me diziam o caminho certo;&lt;br /&gt;queria ter feito mais coisas sem pensar, ter me arrependido&lt;br /&gt;mais;&lt;br /&gt;queria ter trocado um livro pela novela,&lt;br /&gt;ter parado um beijo quando estivesse insosso,&lt;br /&gt;ter tomado mais sorvetes com a garganta inflamada;&lt;br /&gt;queria ter escrito outras canções de amor falsas;&lt;br /&gt;queria ter inventado sentimentos no escuro;&lt;br /&gt;queria ter tido uma edição original de cada um de meus livros preferidos;&lt;br /&gt;Se vierem até mim com promessas de ilusão, direi: venha, ilusão, sou teu escravo.&lt;br /&gt;queria ter descumprido compromissos tediosos;&lt;br /&gt;queria ter mais detalhes de minhas amantes de uma só noite,&lt;br /&gt;ter tido mais amantes e mais noites, ainda que sem amor;&lt;br /&gt;queria ter refeito minha vida quando achei que podia;&lt;br /&gt;digo, queria realmente ter refeito o caminho que escolhera – mas, pobre de mim!, o perdi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-4203741395993854642?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/4203741395993854642/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=4203741395993854642&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4203741395993854642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4203741395993854642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/queria-ter-aprendido-grego-pra-saber.html' title=''/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6420473295566091753</id><published>2007-04-12T00:42:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T12:49:35.084-03:00</updated><title type='text'>Uma noite nada mais</title><content type='html'>vem, vem, parda noite&lt;br /&gt;se desmembrando em meu colo&lt;br /&gt;e deita, pétala a pétala,&lt;br /&gt;teu lábio em meu septo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vem - digo - sem pressa&lt;br /&gt;cava com teus dedos finos&lt;br /&gt;esse silêncio selvagem&lt;br /&gt;que em meus olhos tomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não há espaço justo&lt;br /&gt;que caiba meu sonho indigno&lt;br /&gt;então vem, vem, me faz suar&lt;br /&gt;o esporro do agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me faz tremer triste&lt;br /&gt;em mananciais de mentira&lt;br /&gt;vem, mentira, vem inteira&lt;br /&gt;me faz teu imortal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6420473295566091753?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6420473295566091753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6420473295566091753&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6420473295566091753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6420473295566091753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/04/uma-noite-nada-mais.html' title='Uma noite nada mais'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-6901404687354372198</id><published>2007-03-25T00:49:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T01:10:35.127-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“… não sei, saí porque você tinha alguma coisa pra me dizer. Talvez você tenha. E eu acho que sei o que você quer me dizer. Você deve estar querendo arrumar uma certa intimidade, pra poder perguntar o que é que eu achei da sua peça e com isso comprometer um pouco a minha opinião, senão sobre o espetáculo, pelo menos sobre o seu trabalho. E eu sei que isso deve ser muito difícil pra você, porque afinal de contas você vem batalhando a um puta tempo nessa carreira e vê em mim a possibilidade de alavancá-la, me trazendo aqui, me expondo aos seus como um troféu. E talvez você quisesse isso e eu também quisesse um monte de coisas, e quem sabe a gente pudesse fazer uma troca. Talvez você pudesse chupar lentamente o meu pau enquanto eu escrevesse um artigo exclusivo sobre a grande revelação dos palcos nesse momento.E talvez você pudesse até ser um pouco mais generosa, e me encontrar vez ou outra e se propor a tirar essa minha aparência de solitário que você diz que eu tenho. E talvez eu até pudesse me apaixonar por você, o que não seria difícil, e em pouco tempo eu perceberia que a paixão é realmente uma invenção da literatura burguesa. E aí eu acho que você se arrependeria de ter me procurado e perceberia que uma bosta de um elogio num jornal diário não significa mais que uma boa trepada numa noite fria. E que no dia seguinte não passa mais do que uma lembrança, sem desdobramento. E talvez eu pudesse olhar nos seus olhos, como eu tou fazendo agora, e dissesse que o mundo é tão óbvio, que se a morte me tocasse nesse momento, seria ainda assim previsível”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu sou um homem que sempre viveu na terceira pessoa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É, exatamente, você tá falando de Shakespeare. Não, eu não estou falando de Shakespeare, eu estou falando de mim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há pouco tempo, há bem pouco tempo mesmo, antes de te ver, de ouvir as tuas palavras, eu era um ser que lidava com a vida de maneira simples. Eu olhava pro mundo com a pretensão dos que estavam vacinados. E agora, por mais que eu tente me esquivar da imagem do seu rosto, da sua boca, mais ela adentra profundamente a minha alma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amanhã? Como amanhã? Amanhã é o fim!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Hoje, há pouco, eu vi a vida se refazendo na minha frente, eu vi, eu vi a dor do mundo escarrada na minha cara, e mesmo assim, como um boçal insensível, um despreparado qualquer, eu só tinha os olhos voltados pra você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Uma palavra tua, e eu me libertarei”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“– Desde quando o senhor conhece Inês?&lt;br /&gt;– Alguns dias antes daquela noite. Não lembro exatamente a data.&lt;br /&gt;– Quantas vezes vocês se encontraram?&lt;br /&gt;– Duas.&lt;br /&gt;– E o senhor diz que tá apaixonado?!&lt;br /&gt;– Há um prazo pra isso?&lt;br /&gt;– Não. Só que não é comum...&lt;br /&gt;– Eu não sou comum”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pra que estão servindo as artes? Sei que estão servindo para o mercado... sei que... sei que servem para assuntos do Estado, países, sei, têm muitas funções. Mas na verdade a gente é artista porque acha que através da arte a gente consegue compartir as transformações que a gente... atravessa... que a gente... eu ia dizer sofre... mas na verdade são as transformações que a gente agradece”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Citações de &lt;strong&gt;Crime Delicado&lt;/strong&gt;, filme de Beto Brant, baseado na obra de Sérgio Sant'anna]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-6901404687354372198?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/6901404687354372198/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=6901404687354372198&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6901404687354372198'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/6901404687354372198'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/03/no-sei-sa-porque-voc-tinha-alguma-coisa.html' title=''/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-4019595051628995520</id><published>2007-03-22T00:59:00.000-03:00</published><updated>2007-03-22T01:14:16.888-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não preciso que me digam o quanto estou ocupado: há, se desdobrando em minha pele, uma impresão segura de quanto tempo tenho dedicado às letras que de meus dedos saem decodificadas. Perco-me em tentar uma segurança, uma perfeição em cada atitude, afinal, tento ser o que de melhor fiz de mim mesmo, mas - qual nada! - só me vejo inconcluso. Olho as fotografias coladas em meu guarda-roupa, todas elas, tão perfeitas: pai, mãe, irmãos, amigos; e só vejo um eu que é um outro, uma imagem embaciada que se perdeu no tempo e ficou lugubremente capturado num papel fotográfico. Que imagem se há feito de mim? Sou aquela nota do contrabaixo que não condiz com a harmonia da orquestra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;________________________________________________________&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-4019595051628995520?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/4019595051628995520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=4019595051628995520&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4019595051628995520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4019595051628995520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/03/no-preciso-que-me-digam-o-quanto-estou.html' title=''/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-5447944144881256631</id><published>2007-03-15T01:18:00.000-03:00</published><updated>2007-03-15T01:25:25.745-03:00</updated><title type='text'>Break-up</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu diria, sim, foi pouco, mas ainda assim basta. Basta no que se quer ser, ao menos a meus olhos. Ela chegou com calma, sem pressa – em silêncio eu senti que seu peito arfava um tanto descomposto – e me pediu para partir. Partir?, eu quis saber: não dá mais. Ela me pedia o que eu mais requisitava; ela me pedia a mim, sem me ter mais, pois que levava o melhor de mim, e deixava o resto. Eu disse não,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–        Amor, que houve?&lt;br /&gt;–        Terei que repetir o que há tempos insisto em dizer?&lt;br /&gt;–        Mas que queres que eu mude?&lt;br /&gt;–        Nada, ora. Se você mudar, deixa de ser você. E é você quem eu não quero mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abri a porta, ensejo esse de um cavalheirismo covarde. Ela juntou o essencial (aquilo que em horas talvez carecesse em sua certeza transparente) e disse, enfim, o resto depois buscaria. Enfim?, quis saber eu, pois bem, tão peremptório é seu propósito?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Silêncio, que se prolongou até os olhos dela, em nada de marejo, e duro até o osso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; E também eu que tive de fechar, não sem chave – pois é a esperança a lacuna em que se deposita qualquer certeza apenas imaginada – a porta por onde ela saiu mais que decidida: seus pés fluíam, um após o outro, como assimilados pelo movimento; movimento que era de som, de um pouco de vento, e muita saudade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-5447944144881256631?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/5447944144881256631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=5447944144881256631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5447944144881256631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/5447944144881256631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/03/break-up.html' title='Break-up'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-4089121195430708983</id><published>2007-03-07T01:42:00.000-03:00</published><updated>2007-03-07T01:46:26.960-03:00</updated><title type='text'>Único soneto de saudade</title><content type='html'>a Tiago Germano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte o tempo o meu sonho numas peças&lt;br /&gt;Pequenas tantas espalhadas n’alma&lt;br /&gt;Que mal quando uma a mão pega na palma&lt;br /&gt;Acha-se que o plausível é às-avessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prostro-me ao piso para umas rezas&lt;br /&gt;Heréticas que à fé a fé acalma.&lt;br /&gt;Mas mal quando uma mão a dor espalma&lt;br /&gt;Todas as outras vêm como revessas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanho essa transitoriedade&lt;br /&gt;Como quem ouve, ao longe, a voz de um &lt;em&gt;soul&lt;/em&gt;,&lt;br /&gt;Não conseguindo a ter reconhecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E percebo, que em termos de saudade,&lt;br /&gt;Antes melhor viver do que passou,&lt;br /&gt;A lembrar sempre o que jamais foi vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-4089121195430708983?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/4089121195430708983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=4089121195430708983&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4089121195430708983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4089121195430708983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/03/nico-soneto-de-saudade.html' title='Único soneto de saudade'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-4975484520810046715</id><published>2007-02-13T23:59:00.000-03:00</published><updated>2007-02-14T00:02:42.088-03:00</updated><title type='text'>Lombalgia</title><content type='html'>a dor, como pronunciada, ainda&lt;br /&gt;em silêncio se desvela, nua e tensa,&lt;br /&gt;no dorso frísio que medra o mal&lt;br /&gt;de estar assim vivo, cego e justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amei o que agora me ata? que luta,&lt;br /&gt;em tal desenho, permite à glória&lt;br /&gt;entrar consigo semente infértil&lt;br /&gt;que apodreça caule e folha e resto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nervos que se entortam em abraços&lt;br /&gt;e em pecado se entregam ao esconso&lt;br /&gt;– dai adeus ao sossego e à platéia! –:&lt;br /&gt;da espinha, húmus; como amor de puta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-4975484520810046715?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/4975484520810046715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=4975484520810046715&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4975484520810046715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/4975484520810046715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/02/lombalgia.html' title='Lombalgia'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116986865922691797</id><published>2007-01-27T00:30:00.000-03:00</published><updated>2007-01-28T11:38:10.303-03:00</updated><title type='text'>Ética</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu nunca saberei dizer ao certo o que motivara aquele sono, aquele sono tão secretamente seguro que me conduzia em silêncio a uma calma pacífica e desumana; não deveria dormir, sei, não deveria sequer fechar meus olhos ou abrir amplamente os lábios em bocejo: eu estava em descanso quando em fato deveria estar sobressaltado. Conduzi meus dias até então com a certeza de que, enfim diante do momento esperado, agiria como qualquer homem em sua justa posse de vingança. Mas o que me vi foi ser subitamente assaltado de um cansaço ímpio, e meus olhos quiseram se esconder dentro das pálpebras, minha pele se tornou pesada, e minha cabeça se perdeu em cores e idéias difusas, mal-acabadas, tão dispersas como o pólen que suspeitávamos flutuante e, quando vimos, já desvirginara a manhã dalguma flor silenciosa. Não nego que tentei lutar contra esse assomo, mas cada esforço era seguido de uma resposta incisiva do meu corpo, que impunha a minhas vontades o domínio da matéria, e me dizia indiretamente da fragilidade de minha existência concreta. Eu estivera até esse momento muito ciente de que, por mais que a virtude se me afigurasse sempre como a idéia possível de uma vida admirável, ainda assim a vingança me pareceu motivada mais pela necessidade que pelo ódio. Na tentativa de permanecer desperto, fiquei recordando os motivos de minha dor, aquele tempo todo em que estive imerso no logro, as tantas vezes que sorri despreocupado, quando talvez todos estivessem se rindo de minha inocência malograda. Lembrei-me dos instantes em que sosseguei em seu colo, purificado pelo amor que eu julgava inédito e intransferível; veio-me à lembrança a cena exata do beijo conciliatório, quando da verdade eu só conhecia o que – acreditava ela – me satisfizesse. E mesmo que essas lembranças se esmaecessem no caminho – afinal, foram alguns anos desde que ela partira – eu teria ainda como combustível para a minha vingança a idéia de amor que ela deixara impregnada em minha pele e que, desde então, não permitira que me entregasse novamente a qualquer coração oferecido. Eu poderia listar um sem-número de razões que não me deixassem titubear no momento exato, e ainda, se eu pudesse as considerar todas juntas, me fariam achar pequeno o castigo que estava prestes a lhe aplicar. Mas não, não conseguia me equilibrar, tampouco me era possível sustentar o ânimo e transmitir a meus músculos algum tipo de força para que não sucumbissem ao cansaço. Tornei a enfocar os motivos de minha vingança, como se uma lupa ampliando a imagem de meu sofrimento o fizesse mais nítido e agudo. Porém eu soçobrava à indolência de meu corpo, e por mais que me fosse imperioso concluir os meus propósitos, por mais que soubesse que se refugasse naquele momento eu carregaria eternamente a sombra do fracasso, mesmo assim meus olhos tropeçavam e os cílios se debatiam, certos de que em breve eu me entregaria ao consolo do descanso. Não demorou até que eu cedesse por completo à minha vingança, e pouco antes de me afogar de vez no sono incontrolável, eu julguei ver nos olhos dela um brilho de vitória, e cri notar em seus lábios um sorriso de certeza – da certeza da vitória –, da vitória que nunca esteve ameaçada por minha vingança iníqua. Ela parecia saber – e transparecia a sapiência – que eu nunca daria cabo daquele propósito, e embora talvez até um pouco de dúvida se lhe tivesse atacado quando de meus primeiros gestos decididos, aquele meu desmaio só lhe vinha confirmar a certeza de minha covardia imutável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116986865922691797?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116986865922691797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116986865922691797&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116986865922691797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116986865922691797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/01/tica.html' title='Ética'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116878693902471680</id><published>2007-01-14T11:59:00.000-03:00</published><updated>2007-01-14T12:02:19.050-03:00</updated><title type='text'>Babel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como talvez nenhum outro filme contemporâneo, Babel (2006, do diretor mexicano Alejandro González Iñarritu) é o melhor exemplo da era das produções transnacionais. Produzido pela Paramount Vantage – um braço independente dos estúdios norte-americanos Paramount –, o filme se passa em quatro países (Marrocos, Estados Unidos, México e Japão) e é falado em sete línguas (árabe, inglês, francês, espanhol, japonês, berbere e linguagem japonesa de sinais). Essa multiplicidade de povos e línguas, como na babel bíblica, concentra-se na verdade para demonstrar a incomunicabilidade e a intolerância que desde há muito definem a vida neste planeta e, com especial destaque, o mundo atual. Os personagens não se entendem e os conflitos são experiências de sobrevivência: encontros confusos, jamais conciliatórios.&lt;br /&gt;Último filme da Trilogia do Caos (iniciada em 2000 por Amores Brutos e seguido por 21 gramas, de 2003), Babel possui estrutura semelhante às dos dois filmes anteriores: um enredo com diversas tramas entrecruzadas que se conectam, muitas vezes por motivos meramente banais. O que difere nesse filme é a amplitude, pois enquanto os outros se passam em países (México e Estados Unidos, respectivamente), Babel tem seus conflitos em localidades as mais distantes, e a conexão entre eles mostra também como no mundo das comunicações imediatas, a distância entre os países se torna ínfima. No entanto – e esse é o grande mérito do filme –, o que se vê é que essa proximidade entre povos distintos tende muito mais a gerar silêncios que diálogos.&lt;br /&gt;O filme começa com dois garotos marroquinos, ocupados em vigiar as cabras da família, enquanto brincam de tiro ao alvo com uma arma do pai e atingem acidentalmente um ônibus de turistas que passa pelo local. Susan (Cate Blanchett) é baleada no pescoço e seu marido, Richard (Brad Pitt), tenta salvá-la num local sem hospitais e com o resto dos turistas temendo se tratar de um ataque terrorista. As tramas consecutivas se desenrolam, ao redor do mundo, e se relacionam indiretamente com esse acidente casual: problemas na fronteira de México e Estados Unidos com a babá e os filhos de Susan e Richard, a família dos dois garotos que passa a ser perseguida e realmente confundida com terroristas, e uma jovem japonesa surda cujo pai é o dono da arma disparada no Marrocos. Muito embora esses dramas se articulem entre povos e línguas, eles tratam de fato da necessidade pessoal de cada um em se comunicar com outros e em conciliar sobrevivência com entendimento.&lt;br /&gt;Babel foi o filme que recebeu mais indicações ao Globo de Ouro 2007: melhor filme de drama, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (Brad Pitt), melhor atriz coadjuvante (Adriana Barraza e Rinco Kikuchi), melhor roteiro original (Guillermo Ariaga) e melhor trilha sonora (Gustavo Santaolalla). Não se pode negar alguma surpresa nessa quantidade de indicações para um filme com uma estrutura narrativa intrincada, uma história forte e aparentemente sem esperanças. O caos que define a trilogia criada por González Iñarritu é claramente uma forma de entender a vida distante dos fundamentalismos muçulmano ou neopentecostal, de oriente ou ocidente, de Bush ou Ahmadinejad. Não há motivo possível que explique o sentido da vida ou nossas atitudes. O caos não é coincidência, acaso ou destino: tudo se explica por sua própria existência, porque existir é.&lt;br /&gt;E desde a babel primeva, os homens tentam conviver com os outros, e é no escopo dessa tentativa frustrada que eles construíram (e ainda constroem) os lugares e as relações conflitantes que, mesmo hoje, são os procedimentos confusos de nosso cotidiano. Comunicar, compreender, aceitar, entender são enfim esforços malogrados desse contínuo processo de vivenciar a nossa humanidade. E o que Babel nos mostra é que, ainda que falássemos a língua dos anjos, nós não nos entenderíamos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116878693902471680?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116878693902471680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116878693902471680&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116878693902471680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116878693902471680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2007/01/babel.html' title='Babel'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116752637136366537</id><published>2006-12-30T21:47:00.000-03:00</published><updated>2006-12-30T21:55:50.796-03:00</updated><title type='text'>O céu não é para todos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O diretor Walter Salles, de Central do Brasil, comentou que O céu de Suely, segundo longa-metragem do diretor cearense Karim Aïnouz (que estreou com Madame Satã, em 2002), é um filme sobre a necessidade que temos de nos reinventar. Mas reinventar a si mesmo é uma aventura cujo início é árduo e aonde se vai chegar é um lugar obscuro que só o tempo pode definir com mais clareza. E enquanto a protagonista Hermila (interpretada pela atriz Hermila Guedes) sofre e luta pra vencer essa necessidade, Aïnouz constrói, com delicadeza e apuro, aquele que é sem dúvida um dos melhores filmes do ano.&lt;br /&gt;A história começa com cenas em flashback, num tom esmaecido e granulado, mostrando Hermila e Mateus dançando apaixonados, enquanto a voz dela fala da juventude de ambos e do amor que os une. Em seguida ela surge, após uma cansativa viagem de ônibus com o filho pequeno, e aporta em Iguatu, pequena cidade no interior do Ceará. Hermila fugira há dois anos para São Paulo com o namorado, e agora ela retorna, já mãe, e esperando Mateus que deixara para vir depois. Alguns negócios em São Paulo o impediram de vir antes. Mas ele some, e não volta nunca.&lt;br /&gt;Em Iguatu, Hermila tem que conviver com o passado que ela abandonara: a avó (a atriz paraibana Zezita Matos), mulher trabalhadora e rígida, e João, um antigo namorado (o excelente João Miguel, de Cinemas, Aspirinas e Urubus), em quem se nota de cara, em cada expressão e em cada gesto, que não perdera a paixão que nutria por Hermila. Mas ainda que o abandono e a solidão estejam lá, machucando Hermila, eles não mascaram o seu maior problema: ela não pertence mais àquela cidade e àquela vida, e mesmo que a casa da avó se pareça um pouco com um lar, e que o carinho devotado por João seja qualquer coisa parecida com amor, agora é ela que não consegue se ligar a nada e a ninguém. E é nesse momento que ela precisa se reinventar.&lt;br /&gt;Os nomes dos personagens são os mesmos dos atores que os interpretam. E longe de parecer falta de criatividade, essa é uma estratégia fundamental para o sentido do filme, pois essa é uma história sobre identidade. Hermila vai ao terminal rodoviário e pergunta para onde é a passagem mais longe que tem dali. E a resposta: Porto Alegre. Para conseguir o dinheiro da viagem, ela se transforma em Suely e decide rifar o próprio corpo. Quem vencer, ganha uma noite no paraíso com ela. Mas com ela quem? Com Hermila ou com Suely?&lt;br /&gt;Na verdade, com nenhuma. Hermila e Suely se fundem (e se confundem) nessa necessidade de reinvenção. Depois de ter sido Suely, Hermila nunca mais será como antes. E embora ela não saiba em que se transformará, ela enfrentou firme a sua falta de pertencimento. Em Porto Alegre a vida será acaso melhor? Ninguém poderá dizer. O certo é que Hermila mergulhou fundo na luta pra sobreviver à diáspora e ao desamparo, enfrentando a si mesma e se recriando nesse exercício que é a vida.&lt;br /&gt;O céu de Suely já participou de diversos festivais e ganhou vários prêmios (como os de Melhor Filme, Melhor Atriz e Melhor Diretor na Première Brasil do Festival do Rio), e isso por causa de sua singela crueza. Em vários planos o céu está lá, opaco, imóvel, oprimindo os personagens. O de Suely, noturno e sem estrelas, permanece intacto como a lembrança de uma fulguração instantânea. Mas o de Hermila é puro movimento, e desenha esperança pela janela de um ônibus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* Publicado no caderno Augusto, do Jornal da Paraíba, em 31/12/2006&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116752637136366537?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116752637136366537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116752637136366537&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116752637136366537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116752637136366537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/12/o-cu-no-para-todos.html' title='O céu não é para todos'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116675035194121262</id><published>2006-12-21T22:16:00.000-03:00</published><updated>2006-12-21T22:19:11.956-03:00</updated><title type='text'>Amor entre sombras: escombros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;a Daniel Sampaio de Azevedo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começou, sabia, havia de ter beleza naquilo. Havia de ter ao menos o que julgava o melhor, e o melhor pra ele, de tudo. Não o que o satisfizesse, somente; não só isso. Era questão de ter consigo o que ele sempre buscara, o que sempre buscara em cada um de seus gestos, cada ação, pensamento ou palavra. E quando se viu diante do que poderia ser a razão de sua vida, quando considerou possível, isso, realmente possível que aquela mulher faria tudo o mais parecer banal, e percebeu que não havia escolha, era ela e pronto, então ele, só então, começou a refletir que a vida sim, sim, verdadeiramente a vida é muito irônica. Pois tudo o que até aí pensara parecia desmoronar assim, diante de seus olhos, como se seus ideais, antes tão firmes, fossem se esvaindo calmamente como poeira ao sopro da madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já que fizera tal ou tal esforço para encontrá-la, inadvertidamente pela rua, como se o acaso os juntasse, e então a convidou pra um café, só um, enquanto a chuva que caía não passava, e comentou com ela que em uma cidade como João Pessoa a vida parece tão tranqüila, tão estupidamente calma que dava agonia, e ela retrucou, com a doçura de uma criança, entrecortando a frase com um gole de café, que a gente reclama do que tem porque acha que pode ter mais, e que João Pessoa era o melhor lugar do mundo para tomar um café assim, diante do mar, e que ainda talvez só quando ele fosse embora daquela cidade pudesse perceber o quanto ela está entranhada em sua carne, pois não há saudade maior que a de seu lar. Então ele sentiu – não como sentiria verdadeiramente anos depois quando saísse de lá – que ela estava certa, e mesmo se estivesse equivocada ainda estaria certa, pois aquele olhar incisivo e cândido não poderia dizer nada mais que a verdade, a verdade inominável, a verdade, o amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Claro, não sentiu tudo isso logo que a conheceu, pois julgava que a paixão não surge pela beleza, ou por atributos que os olhos percebem assim, à primeira vista, mas que, ao contrário do que todos pensam, a paixão é uma questão de tempo, de captar o tempo que se pronuncia silenciosamente em nosso corpo, esse tempo que nos faz perceber assim, num solavanco, a nossa condição de homens, homens incompletos, nulos e imensamente sozinhos. Pois ele fez, e muito, do mais e tudo, pra que a covardia que nos primeiros momentos o assomou – fosse porque era ao vê-la que seu coração se atiçava, feroz, querendo sair da jaula, ou fosse precisamente porque ele deveria domá-lo, porque as circunstâncias o impeliam a não alimentar aquele animal insaciável –, não perdurasse além daquele tremor impávido em suas mãos, quando ela chegava. Pois sabia que se tivesse que escolher entre Brasil e ela, que de verdade se a questão se pusesse nesses termos, sem dúvida, talvez até sem piscar, optaria por ela. E era isso, talvez, o que mais o perturbava: a consciência de que seu amor por ela era mais influente que sua amizade por Brasil. Ele, logo ele, que conhecera Brasil quando nenhum dos dois sabia qual mão era a esquerda e qual a direita. Tinham entre sete e oito, talvez menos, e Brasil era um ano mais velho. Desde então, ao que contara, sempre estiveram juntos, e juntos passaram da infância à adolescência, e do carinho à cumplicidade, e daí ao amor, para ao fim o ódio. Nunca achou que Brasil o fosse perdoar, não por ser ele incapaz, ou porque sua amizade não era tão forte, mas porque nada é mais terrível para um homem que ser amigo daquele que dorme com a mulher que ama.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em verdade, a distância no tempo – afinal, como ele mesmo calculara, desde então já faz quarenta e quatro anos –, embora, como num letreiro na rua, quando passamos de ônibus, e quanto mais seguimos mais tentamos observá-lo, e quanto mais tentamos mais os contornos se esmaecem, enfim, embora se tenha apagado de sua memória alguns dos pormenores relativos a como as coisas se deram, ainda assim mantinha intacta em suas palavras a seiva que durante todos esses anos alimentara sua persistência em continuar vivo, mantinha segura em sua expressão a sólida lembrança de ter estado com ela aqueles momentos, de ter se batizado em sua saliva, de ter dormido em seu ventre como em nova gestação, de ter consagrado as melhores de suas horas à certeza de que a vida é breve, e que o amor é breve, breve e intercalado por um prelúdio e um prólogo que, na verdade, são a maior parte dos anos de solidão que compõem a nossa existência. Isso porque a memória que ele teimava em sustentar acesa, indo diariamente colocar sobre seu altar uma coroa de flores e alguns incensos perfumados, era na verdade a memória não apenas de uma mulher – por mais que ela seja a protagonista das narrativas que suas lembranças encenam –, mas era também a memória de sua identidade, a memória do lugar onde nascera e das pessoas com quem crescera, lugar e pessoas que ele acreditou serem momentâneos, mas que tanto mais ele saía a conhecer o mundo, mais se reconhecia estrangeiro; tanto mais ele aprendia línguas e dialetos, mais ansiava por escutar o som arrastado de seu sotaque; e tanto mais ele conhecia novas pessoas, e tanto mais ele dormia com outras tantas mulheres, mais e mais lhe apertava a falta de um abraço amigo, e do colo silencioso da sua amada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E houve até aquilo tudo que como se deu. Lançado ao baile, ele, nunca afeito às marchas e aos machos salivando a saia das moças, guardava o rosto ressabiado numa máscara. Fez esse esforço mesmo por Brasil, que o arrastara até o Cabo Branco porque, afinal, não havia motivo de ficar em casa estudando se o mundo tinha alguma chance comum, alguma solução possível nesse estágio da evolução, quando uma boa noite de cerveja, lança-perfume e, claro, algumas garotas rebolando, seria talvez até mais importante pra fazer do mundo um lugar melhor. E, além disso, Brasil adiantara, havia de lhe mostrar algo. E esse algo era ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nunca esteve mais sufocado, nunca o fôlego lhe escapou com mais intensidade (ele tentando capturar oxigênio com a palma da mão), ah, nunca tal vertigem plúmbea se formou em seus olhos, nunca as palavras fraquejaram tanto, tropeçando em sua língua, enfim, nunca correu em suas veias sangue tão atordoado como no dia em que a conheceu. Clara, meu amor, introduzira Brasil, esse é o grande Cristiano, de quem sempre lhe falei. Ela abriu um sorriso, entre tímida e lisonjeada; seus dentes escondiam e mostravam um brilho fino, sumarento, que abria e fechava, como uma queda. Brasil fala muito sobre você, dissera ela, parece que são muito amigos. Ela estava fantasiada de musa grega, e, Calíope que era, tanto mais falava e tanto mais sorria, mais Cristiano só conseguia se concentrar nela. Pois é, nos conhecemos desde pequenos, falara Brasil, fomos feitos um para o outro: ele é idéia, eu sou ação, ele é a palavra, eu sou o corpo. Mas Cristiano ali, perplexo e encarcerado, observando Clara em cada um de seus contornos, tentava descobrir o que havia naquela mulher que colocara em sua cabeça, assim como uma facada, essa tão incisiva idéia de que ela tinha que ser sua. Não era somente uma atração, não era só a suavidade de seu olhar, a cartografia de seus braços, a pele em ebulição, a angulação das coxas, a liquidez de seus cabelos, os seus lábios, o calor emanando de seus poros, não, não era nada disso, pois isso é matéria, e matéria é transporte. Desculpem, garotos, me dêem licença para eu ir ao banheiro, pedira ela, olhando primeiro pra Brasil e depois pra Cristiano, e abrindo aí um pouco mais o sorriso que durante todo esse tempo marcava-lhe o rosto. Ela então se virou e, como se levada por uma brisa, deslizou pelo salão, íntima e indecifrável. Sabe, meu amigo, segredara Brasil, eu acho que estou amando.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116675035194121262?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116675035194121262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116675035194121262&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116675035194121262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116675035194121262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/12/amor-entre-sombras-escombros.html' title='Amor entre sombras: escombros'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116580690049846263</id><published>2006-12-11T00:07:00.000-03:00</published><updated>2006-12-11T00:25:16.476-03:00</updated><title type='text'>Viagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duma encosta que se formava firme no canto dos olhos, e se avolumava, entre o vácuo e a presença, no ão ão ão da solidão, pois se possui apenas o suficiente para tornar a vida, quem sabe suportável, sem desespero ou satisfação, mendigando sempre aos nossos sonhos um pouco de realidade (pois antes exigir de um cego o milagre das cores, que reclamar dos desejos a essência da coragem), revendo, no arvoredo agreste de nossas falhas, a impossibilidade da poda, reclamando que sim, sim, pode ser que sim, que a vida acolha ainda nossos pedidos, e nos dê, quem sabe, melhor sorte, e nos mostre, quiçá ao longe, sinuoso, esguio, o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veículo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você volta quando? Afinal, pelo menos isso me é justo saber, você não acha? Já que suas razões, como você mesmo diz, residem fundo em seu próprio ser, diga-me então pra onde você vai, como posso te encontrar. Porra, eu não entendo! Por que você tem que fugir, agora que legítimo mesmo seria lutar? Isso também está me doendo muito, não acha, seu egoísta? Afinal, seria até mais justo doer em mim que em ti. Meu corpo ainda formiga, se você não sabe. Seu merda! Você é um merda, sabia? Toda a noite eu acordo sobressaltada, assustada, e a única coisa que me alivia é te ver ao meu lado. E agora você quer ir embora? Não consigo admitir o quanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ponte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foi o movimento tenso, que ele fez hesitando ainda acerca de seus próprios direcionamentos. Caminhou com vagar e imperícia, carregando consigo apenas uma bolsa de viagens, nem tão cheia, só o básico. Enquanto saía, tropeçava vez ou outra nos escombros que ainda estavam na sala de sua casa e na sua memória. Ouve isso, querido?, e ele resistira em levantar do próprio sono, resmungando, apenas. Só que um, dois, três movimentos bruscos o acordaram, Amor, está ouvindo esse barulho?, e ele se erguera em cansaço, bocejando amplamente, e saíra para checar. Lembrança? Onde guardaria esses trambolhos que se aglutinavam em sua mente e se interpunham entre ele e a porta, entre a casa e o mundo, entre o entre e o outro? Amor?, Amor?, cada vez mais alto e temeroso, Amor?, está tudo bem?. Fuga? Consolo? Tentativa vã de abstrair a realidade, a história? Ele caminha, tenso ainda o movimento, sem melhores quietudes. Vingança? Ah!, cortara o ar, num grito cólico e íntimo, feminil, público, que varara a noite como um suspiro último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A travessia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós tínhamos ainda algum tempo antes de escolher o dia exato. Não havia pressa. Tínhamos sido admitidos recentemente em nossos empregos, cada qual com muito tempo ainda para receber as férias. Só que havia em nossos gestos uma ânsia agônica de ficar juntos, de resolver logo as demandas superficiais e marcar o casamento. Pois chegara aquele momento em que a idéia de casar não se nos colocava mais como o certificado social da monogamia compartilhada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela entrou devagar, relanceou o olhar pela sala vazia, me achou ao fundo, junto à janela, e veio até mim com decisão e perícia. Estava de preto, longo e com a gargantilha preta que eu lhe dera. Ela não mudou, pensei, ainda que em sua pose houvesse algum ineditismo. O movimento de seu caminhar era ondulado e íntimo, jogava as coxas lá, a bombordo, e cá, a estibordo, e a cintura marolava. Mas o quê, me perguntei, principiando um sorriso que era no fundo tanto de surpresa quanto de medo. Ela me fitava, não com o ódio perene que eu supunha estivesse em seus traços, mas com uma delicadeza feminina, quase irônica. Me perdoou, conclui. Mas a cusparada que ela deu, direta e seca em minha cara, contradisse minhas suposições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;VI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atalho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senão quando o braço lhe apertou ao redor da cintura com a força e a destreza – ávidas – necessárias para subjugar aquele ventre que comprimia e dilatava de choro ou não só choro mas também a vontade de gritar que se apagava a cada acesso tão grande era a dor que a possuía por trás pois nem a misericórdia de lhe poupar o cu teve aquele canalha que lhe forçava as coxas e aninhava os dedos nervosos pelo pescoço sufocado e era assim mesmo em sufoco que ela pensava como um homem podia manter duro o pau e ter desejo e prazer na violência e na posse forçada de outro corpo que naquele instante perdia toda a sua identidade – toda a sua humanidade – e não era nada mais que uma massa inanimada que recebia atônita e mortificada a invasão inescrupulosa daquele pau em seu ventre rasgando-lhe as entranhas e aferrando para sempre de vergonha seu sexo sua intimidade e todo o seu desejo que daqui em diante será tão somente motivo de penitência e vergonha sim vergonha aquele pau a socava de vergonha aqueles testículos tocavam sua buceta silenciosa com a pele da vergonha da vergonha do medo e da solidão impenetrável&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VII&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chegada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia ser quem sabe uma canção; os mais silenciosos reclamariam um verso, ainda que banal. Eu, por mim, preferiria uma dança. Isso, uma dança. Só uma dança libertaria meu coração despedaçado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116580690049846263?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116580690049846263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116580690049846263&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116580690049846263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116580690049846263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/12/viagem.html' title='Viagem'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116476985889708865</id><published>2006-11-29T00:08:00.000-03:00</published><updated>2006-11-29T00:10:58.913-03:00</updated><title type='text'>Metrô</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela era bela. Acordou de súbito num solavanco do trem. De seus lábios sonolentos caía o brilho do batom ainda puro. Era loira, e os cabelos desciam pela face luminosa como a exigir atenção e glória. Não creio, cá pra mim, que ela pensava amenidades: seus olhos fitavam agora sem piscar um ponto perdido na escuridão imóvel. Ergueu-se do banco e com a valise em mãos postou-se junto à porta. Logo o trem parou e ela desceu. Não que ela fosse bela, mas graciosa em seu recato. O blazer e a saia executiva traçavam em seu corpo a geografia de sua pele, os seios em saliente soberba, o ventre compacto, as coxas sinuosas e rígidas. Estava agora em pé, pouco adiante de mim, e o seu perfume se alojou no vagão numa flutuação perene. O trem parou e ela não desceu, mas ela entrou, e não que fosse menos ou mais bela, mas pesava em sua expressão toneladas de desejo. Aquela boca trazia inscrita a demanda de um beijo imediato, logo, logo, sem demora, e quem se adiantasse ganharia de resto todo o seu corpo seminal e lânguido. Eu me ergui e fui-me até ela. Aproximei meu corpo do seu, ao ponto de acompanhar com os olhos o ir-e-vir apressado da respiração em resfolego. Ela tinha sinais nos ombros que se espalhavam como cidades num mapa antigo, e como aquilo era belo! Eu poderia assistir eternamente à sua imobilidade silenciosa. O trem parou e eu desci. Quantos Baudelaire há em mim numa viagem de metrô?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116476985889708865?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116476985889708865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116476985889708865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116476985889708865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116476985889708865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/11/metr.html' title='Metrô'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116458866194943300</id><published>2006-11-26T21:49:00.000-03:00</published><updated>2006-11-26T21:51:01.986-03:00</updated><title type='text'>Ponto de partida</title><content type='html'>ponto em que tudo se congrega&lt;br /&gt;e se afasta. ponto cego, faca, ponto pingo&lt;br /&gt;ping pong&lt;br /&gt;aleph. tudo é certo e arrasta&lt;br /&gt;tudo o que em princípio é vago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ponto de ônibus, ponte, pente e&lt;br /&gt;rio cabelo&lt;br /&gt;maré&lt;br /&gt;vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só o que existe é tu, ponto, negro tu&lt;br /&gt;ponto de encontro, em casa, crespo e tu&lt;br /&gt;em ti, calado, suspenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só o que existe é tu, marina sem vento,&lt;br /&gt;mulher traquéia, que se distende&lt;br /&gt;ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ponte de safena, sáfica, sádica,&lt;br /&gt;em tal sutura, ponto, em tal&lt;br /&gt;voragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;amanhã te espero, miséria,&lt;br /&gt;deserto&lt;br /&gt;água.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116458866194943300?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116458866194943300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116458866194943300&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116458866194943300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116458866194943300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/11/ponto-de-partida.html' title='Ponto de partida'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116373323417839293</id><published>2006-11-17T00:11:00.000-03:00</published><updated>2006-11-17T00:13:54.193-03:00</updated><title type='text'>Aborto</title><content type='html'>ao filho que não tive&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentir o pulso que se entrega a cada passo,&lt;br /&gt;esse o gracioso abraço entre silêncio e morte,&lt;br /&gt;e ser a nota que tropeça no compasso&lt;br /&gt;fundindo em sangue e em aço um som de assomo e sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não dar ao tempo o breve gosto do cansaço,&lt;br /&gt;ser tão somente o acaso que se empate esporte.&lt;br /&gt;e compreender que como a flor que adorna o vaso,&lt;br /&gt;também a dor no espaço espalha o pulso forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e força e pulso entrega o passo em si sentido&lt;br /&gt;na queda o parto importa menos que o perdido&lt;br /&gt;tão calma a vida se anuvia em passo torto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lembrança turva e rota de meu feto triste&lt;br /&gt;que em fato é certo que jamais e sempre existe&lt;br /&gt;em minha tarde morta e em minha noite aborto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116373323417839293?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116373323417839293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116373323417839293&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116373323417839293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116373323417839293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/11/aborto.html' title='Aborto'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116278572176844163</id><published>2006-11-06T00:36:00.000-03:00</published><updated>2006-11-06T01:02:01.806-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Descobri enfim que tenho todas as respostas: meu problema é que não sei a que perguntas cada uma delas se refere.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116278572176844163?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116278572176844163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116278572176844163&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116278572176844163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116278572176844163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/11/descobri-enfim-que-tenho-todas-as.html' title=''/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116217216495796977</id><published>2006-10-29T22:34:00.000-03:00</published><updated>2006-10-29T22:36:04.973-03:00</updated><title type='text'>Haicais do caos</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pula em mim tal pluma&lt;br /&gt;que de teu sorriso líquido&lt;br /&gt;transborda-se espuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;erguida da pele&lt;br /&gt;a ferida aberta engole&lt;br /&gt;o sangue que expele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;morto quem amou&lt;br /&gt;cai em seu caixão florido&lt;br /&gt;uma asa do sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116217216495796977?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116217216495796977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116217216495796977&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116217216495796977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116217216495796977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/haicais-do-caos_116217216495796977.html' title='Haicais do caos'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116187944092880350</id><published>2006-10-26T13:14:00.000-03:00</published><updated>2006-10-26T13:17:20.956-03:00</updated><title type='text'>Pureza</title><content type='html'>meus olhos viram, mas estava além do corpo,&lt;br /&gt;estava etéreo no regaço desse mundo,&lt;br /&gt;e eu conheci apenas o não permitido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que repousava inerte entre o volante e os carros,&lt;br /&gt;que dos ruídos não se percebia, aquilo&lt;br /&gt;mudo nas bocas tensas que se interpelavam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em silêncio; não a certeza – nem a dúvida:&lt;br /&gt;mas o limite justo em que certeza e dúvida&lt;br /&gt;coabitam um só som, afirmativamente;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ali, passado anexo ao presente, pecado&lt;br /&gt;e virtude entre abraços de consagração&lt;br /&gt;íntima; não a dor, ainda que em júbilo; não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a miséria beatificada, o cansaço ágil,&lt;br /&gt;ou qualquer oximoro: mas o paradoxo&lt;br /&gt;se negando, a si mesmo contradito, quando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim e não se recusam e aceitam o laço&lt;br /&gt;atávico que nesse não e sim os ata;&lt;br /&gt;meus olhos viram, e por pouco não o toco,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perto que passou de mim, convidativo,&lt;br /&gt;amplo; não era músculo, apesar do suor&lt;br /&gt;e do perfume que ainda soa nas lembranças,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o gosto estava além da imagem, perpetuando-se&lt;br /&gt;secretamente pelas planícies inóspitas&lt;br /&gt;de minha idéia, conduzindo um carrossel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de sentenças recém-elaboradas, nesse&lt;br /&gt;espaço em que memória procede ao futuro;&lt;br /&gt;não era a guerra – nem o amor, ou nada disso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era enfim o sossego transtornado em música,&lt;br /&gt;puro como as verdades que brotam do engano,&lt;br /&gt;que são saliva, lábio e beijo ao mesmo tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116187944092880350?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116187944092880350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116187944092880350&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116187944092880350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116187944092880350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/pureza.html' title='Pureza'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116154181044362610</id><published>2006-10-22T15:29:00.000-03:00</published><updated>2006-10-22T15:30:10.460-03:00</updated><title type='text'>Acinte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; Ter a solidão não como escolha, mas como sentença, e tirar daí toda a força, da miséria não partilhada, do silêncio noturno, eternamente apascentado sobre os travesseiros, do abraço que se perdeu na lembrança, da voz quase rouca, cabisbaixa, íntima. Não ter jamais vergonha da camisa amassada ou do corpo nada atlético; saber que os outros – massa amorfa de tantas desgraças escondidas – não mais importam, nunca mais. Conhecer as vontades próprias, e sempre negá-las, impondo-se a si mesmo outras mais desconfortáveis. Acompanhar imóvel os gestos de carinho, distante de qualquer intimidade, ainda que forçada. Ter a solidão não como destino, mas como certeza. Transar somente com putas, e se possível de olhos abertos. Começar o dia abandonando os sonhos, e só depois tomar banho. Descer os andares apenas de escada, nunca pelo elevador: o caminho é sempre uma queda. Ser pacífico, embora ensimesmado, simpático para evitar contato, severo quando for contatado. Nunca – reforço: nunca! – celebrar o próprio aniversário, certo de que não passa de um dia qualquer no calendário da vida mundana. Sorrir somente de ironia, evitar o toque e o perfume. Permanecer calado no ônibus, sem encetar nem permitir conversa. Ter a solidão não como pecado, mas como liberdade. Ir ao cinema somente em dias de semana, e nas primeiras sessões: encostado num canto, uma mochila pra ocupar o assento vizinho. Ler como um louco, mas seletivo: russos, franceses, brasileiros, alemães e ingleses – nessa ordem. Poesia durante o dia e prosa pela noite, nunca o inverso. Sempre que possível avisar à família que tudo está bem, e evitar com isso a intromissão sistemática de parentes que nunca lhe compreenderam. Beber somente em casa. Andar vez em quando na praia, fingir-se feliz, sorrir. Evitar contrair dívidas, mas saber que é melhor ter dívidas que ter amigos. Não conversar com vizinhos. Vez ou outra, pensar em morrer, e saber então que até nisso reside o fracasso. Ter a solidão não como consolo, mas como salvação, e contar apenas consigo pra sobreviver nesse mundo sem sentido, combalido enfim com a certeza de que toda miséria não partilhada, todo silêncio diurno ou noturno, todo abraço, lembrança ou desespero constituem a matéria desprendida de um corpo sem vida, nulo, incapaz de reconhecer o valor das aproximações fortuitas. Amar apenas o impossível: o resto é impossível. Morrer de uma doença gradativa, dormindo, e jogar-se enfim, serenado e puro, no fundo escuro da inexistência solitária. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116154181044362610?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116154181044362610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116154181044362610&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116154181044362610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116154181044362610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/acinte.html' title='Acinte'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116086705967122015</id><published>2006-10-14T19:58:00.000-03:00</published><updated>2006-10-14T20:04:19.686-03:00</updated><title type='text'>Paisagens costeiras</title><content type='html'>onde estão todos? onde calmamente&lt;br /&gt;repousam náuticos os que em acerbo&lt;br /&gt;seguro emprestam sangue ao mar insosso?&lt;br /&gt;onde os que simples gestos sempre soam&lt;br /&gt;sorrateiros? residem onde agora&lt;br /&gt;os párias meus irmãos que em outras eras&lt;br /&gt;eram elo entre meu futuro impuro&lt;br /&gt;e meu passado assaz não sossegado?&lt;br /&gt;e meu presente? insisto nessa busca&lt;br /&gt;túmulo de meus todos e a saber&lt;br /&gt;onde supuram périplos aqueles&lt;br /&gt;que tanto bem fingiram germinar&lt;br /&gt;on the order hand of all my sand,disse o ócio?&lt;br /&gt;pois em meus negros pluma e lodo levo&lt;br /&gt;livres de todo negro ou todo livro&lt;br /&gt;só pra entrever no escuro o que já brilha&lt;br /&gt;flácido o tempo empurro na nau nua&lt;br /&gt;todos os bichos – eu – todos os bichos&lt;br /&gt;e singro atlântico o ébano plástico&lt;br /&gt;noite dia noite noite noite dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;: visto o terraço desta terra rasa&lt;br /&gt;terra a prazo, pequena terra, brasa,&lt;br /&gt;onde é certo que brote brusca e crespa&lt;br /&gt;cada grama que nela caia arada&lt;br /&gt;vista a areia que a cálcio o que era lágrima&lt;br /&gt;desenha calma e branca uma ampulheta&lt;br /&gt;onde o tempo rasteja em si deserto&lt;br /&gt;onde o corpo percorre o seu desejo&lt;br /&gt;vista a mata – ou só tudo – sempre bílis&lt;br /&gt;velando a noite e loba e bela e bala&lt;br /&gt;em cuja pétala lateja a pólvora&lt;br /&gt;pra cada galho gris ser cruz ou cristo&lt;br /&gt;visto o povo que aqui flecha e linguagem&lt;br /&gt;não só tudo entre si se embolam bocas&lt;br /&gt;ou só aço lasso lasso lasso, laço :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sou só soluço sei sem solução&lt;br /&gt;em cada tora a seiva em assassínio&lt;br /&gt;sou só sintaxe sem compreensão&lt;br /&gt;em cada turba barba e só cerveja&lt;br /&gt;sou só sintoma sem consolação&lt;br /&gt;em cada turno em cada bombardeio&lt;br /&gt;em cada pele lei ou passatempo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde estão todos? onde os em miséria&lt;br /&gt;de tanta tão assim nus de memória?&lt;br /&gt;onde os que a sorte certa perene a hora&lt;br /&gt;consomem só mais nada e sul e goela?&lt;br /&gt;onde essas tetas húmus não mais que ervas&lt;br /&gt;que fumam cinza em cada gorgolejo?&lt;br /&gt;onde estão todos? deus meu, diz-me a cova&lt;br /&gt;em cuja curva estão os olvidados&lt;br /&gt;diz-me a dor pura em cego olho de espelho&lt;br /&gt;que meus vizinhos nele não e sim&lt;br /&gt;se reconheçam. onde estão tão ondes&lt;br /&gt;esses tantos? sem luz ou sem leveza&lt;br /&gt;levo em meu mim peçonha e mais linguagem&lt;br /&gt;sem ser e sem o nada dano ao dúbio&lt;br /&gt; dedo dado  arte terra  cofre força&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois ergo o corpo pó de tal pilhagem&lt;br /&gt;e miro o rumo rama erma e rimada&lt;br /&gt;então aos olhos meus singelo e súbito&lt;br /&gt;não nada vejo nada e mais que nada&lt;br /&gt;somente nada terna vida e o público.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116086705967122015?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116086705967122015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116086705967122015&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116086705967122015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116086705967122015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/paisagens-costeiras.html' title='Paisagens costeiras'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116077121094845822</id><published>2006-10-13T17:25:00.000-03:00</published><updated>2006-10-13T17:26:50.960-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>eu, vegetal,&lt;br /&gt;firme no meu vôo,&lt;br /&gt;vejo em cada caule de minha pele,&lt;br /&gt;a neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu, tronco,&lt;br /&gt;pátio em cujo horizonte&lt;br /&gt;dissolvo em nuvem como em tempo&lt;br /&gt;de vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu, folículo,&lt;br /&gt;cru que sei de minha morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu, eu seiva,&lt;br /&gt;eu sangue que se flameja&lt;br /&gt;nu&lt;br /&gt;na catedral de minhas pétalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu, ou só raiz,&lt;br /&gt;raro e puro em meu silêncio,&lt;br /&gt;mais até que erosão,&lt;br /&gt;coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116077121094845822?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116077121094845822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116077121094845822&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116077121094845822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116077121094845822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/eu-vegetal-firme-no-meu-vo-vejo-em.html' title=''/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-116027845256462972</id><published>2006-10-08T00:31:00.000-03:00</published><updated>2006-10-08T00:34:12.610-03:00</updated><title type='text'>P.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha pequena P., minha paisagem, sei que em teu céu posso encontrar abrigo, e em tua boca, nua e quente, posso sangrar a sede da saudade, e em cada um de teus dentes, e na areia rubra da tua pele. Minha pequena P., minha piscina, sonho com tuas ondas e tuas nuvens, tuas coxas, teu cansaço. Sofro quando não sei (como não sei!) a quantas anda teu inverno, e de ti, se não te vejo a cada dia, a cada instante, sei que serei só dor e dor, além. Minha pequena P., minha plumagem, durmo sobre teu colo e sob teu dorso e sei que do meu sono só sairá asa e corpo. Pois que minha traquéia imóvel soluça o teu vômito, e isso é lindo e puro, sagrado, íntimo. Minha pequena P., minha planície, entro entre teus flancos, curvo-me em tuas esquinas, cedo meu império ao piscar de teus lábios. Serás só minha, passado e futuro, a cada instante, a cada dia. Minha pequena P., minha peçonha, o teu prazer é meu antídoto, e minha carne (folha) tremula ao contato de teus olhos, ilhas. Sugo a seiva e o samba, de teus pés, tua garganta. Minha pequena P., minha polícia, entrego a paz de minhas narinas ao poder de teu perfume, e pouso: ao quedar-me em ti encontro o vôo. Minha mão é tua barriga, meu joelho é tua orelha, minha nuca é teu regaço. Somos como os pássaros, confiando ao ar a certeza do transporte. Minha pequena P., minha pequena, cabes na palma de minha língua, e eu sempre te darei a mim, inteiro e aos cacos, pois é o jeito de afastar os cabelos com os olhos, e esse teu jeito de pular no meu colo com num poço, que me deste a ti, pequena e completa, e me fizeste acreditar sempre. Sempre, minha pequena. Em nossa vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-116027845256462972?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/116027845256462972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=116027845256462972&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116027845256462972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/116027845256462972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/p.html' title='P.'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115999603175079469</id><published>2006-10-04T17:56:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T18:07:11.766-03:00</updated><title type='text'>Lição de Jornalismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Direto aos fatos: vamos observar como a mesma notícia pode ser divulgada com focos totalmente diversos, por meio diferentes: o caso é a leitura do relatório sobre a CPI das Sanguessugas, pelo deputado Jefferson Peres (PDT-AM).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Aqui a notícia pelo UOL (&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u84670.shtml"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u84670.shtml&lt;/a&gt;):&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Relator recomenda a cassação do senador Suassuna&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senador Jefferson Peres (PDT-AM) recomendou esta manhã ao Conselho de Ética do Senado a cassação do senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que é acusado de envolvimento na máfia das ambulâncias. Péres, relator do processo de Suassuna no Conselho, fez um duro discurso contra o senador peemedebista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Disse que, embora não tenham surgido provas que atestem o envolvimento direto de Suassuna nas fraudes, o senador foi "leniente" ao permitir que seu ex-chefe de gabinete Marcelo Cardoso atuasse no esquema de liberação de emendas parlamentares para compra superfaturada de ambulâncias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Não há dúvida de que o senador não é um réu sem culpa, vitimado pelos assessores e pelos seus próprios erros. Ele sai desse episódio com a reputação trincada e a sua permanência no Senado iria fragilizar ainda mais a instituição", disse Peres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo o senador, mais do que o julgamento de Suassuna, o Conselho de Ética analisa o atual modelo parlamentar em que há "relações promíscuas" entre o Executivo e o Legislativo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A leitura do parecer de Peres durou cerca de meia hora. Os integrantes do Conselho de Ética vão, agora, votar o parecer do senador. Suassuna também vai apresentar defesa verbal na tentativa de evitar que o conselho recomende a sua cassação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;****&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;- Agora pelo WSCOM (&lt;a href="http://www.nordestenews.com.br/noticias.jsp?pagina=noticia&amp;id=79516&amp;amp;categoria=4"&gt;http://www.nordestenews.com.br/noticias.jsp?pagina=noticia&amp;id=79516&amp;amp;categoria=4&lt;/a&gt;):&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Relatório de Peres declara falta de provas e indícios contra Ney, e tem votação adiada para novembro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senador paraibano Ney Suassuna (PMDB) ocupou na tarde desta quarta-feira a tribuna do senado para exibir o relatório do senador Jefferson Peres que não identifica provas do seu envolvimento na máfia das ambulâncias. “Ele diz que não há nenhuma prova e o menor indício de que eu tenha participado do esquema”, disse. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ney fez referência à página 17 do relatório, cuja votação foi adiada para novembro. Jefferson sugere a punição do paraibano por quebra de decoro parlamentar, mas nega que haja qualquer indício de que o senador tenha se locupletado com o superfaturamento das ambulâncias, investigada pela Operação Sanguessuga, da Polícia Federal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Ser inocentado da acusação é um alívio, principalmente depois de 137 dias sendo vítima de tiroteios intensos da imprensa. Aqui está: não sou sanguessuga, paguei o pato talvez pelo calor político, e espero que essa pecha saia dos jornais a partir de agora”, completou. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O parlamentar aproveitou para atacar jornais de grande circulação nacional que trouxeram hoje uma informação de um encontro do senador com o presidente Luis Inácio Lula da Silva, numa suposta articulação para o segundo turno. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Não estive com Lula nem ontem, nem anteontem, nem há um mês atrás? Então como é que um jornal que tem o nome a zelar se presta a uma mentira? Talvez seja a hora de pensarmos numa lei séria sobre a imprensa, que deve ser livre, porém, responsável”, concluiu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;********&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, meus amigos, tirem suas conclusões...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obs: LOCUPLETAR????? Porra, o cara realmente se superou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115999603175079469?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115999603175079469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115999603175079469&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115999603175079469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115999603175079469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/10/lio-de-jornalismo.html' title='Lição de Jornalismo'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115965221000904276</id><published>2006-09-30T18:31:00.000-03:00</published><updated>2006-09-30T18:36:50.020-03:00</updated><title type='text'>Volver ao gênero cômico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;            Dos quase 400 filmes que estão sendo exibidos no Festival de Cinema do Rio de Janeiro, maior evento cinematográfico da América Latina, sem dúvida o mais aguardado era Volver, nova produção do cineasta espanhol Pedro Almodóvar. O Festival, que começou dia 22 de setembro e vai até 5 de outubro, conta ainda em sua programação com filmes de mais de sessenta países, além de uma mostra especial comemorando o centenário de nascimento de Luchino Visconti, e ainda a Première Brasil, com 17 longas-metragens  nacionais na disputa pelo prêmio principal de melhor filme.&lt;br /&gt;            Vencedor dos prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Interpretação Feminina no último Festival de Cinema de Cannes, Volver é o décimo sétimo longa-metragem de Almodóvar, e marca seu retorno à comédia. Depois de filmes mais dramáticos, como Tudo sobre minha mãe (1999) e Fale com ela (2002), além do metalingüístico Má educação (2004), Volver retoma a perspectiva cômica que Almodóvar explorou, por exemplo, em Mulheres à beira de um ataque de nervos (1987). No entanto, essa comicidade não esconde o drama pessoal das personagens, ao contrário, está ligada à forma como elas se relacionam com o dia-a-dia e com o passado.&lt;br /&gt;            Pois como o próprio título já denuncia (Volver, em espanhol, significa voltar), esse é um filme sobre o passado, sobre o retorno do que aconteceu e marcou profundamente a vida das personagens. Raimunda (Penélope Cruz) vai a La Mancha, povoado onde nasceu, com a filha adolescente (Yohana Cobo) e a irmã Sole (Lola Dueñas), para lavar o túmulo de seus pais, tradição corrente naquele lugar acossado por um vento muito forte que espalha folhas e sujeira por onde passa. Lá também vive tia Paula (Chus Lampreave), uma idosa que mora sozinha, surpreendentemente, sem ninguém que lhe faça companhia.&lt;br /&gt;            No povoado, entretanto, circula o boato de que o fantasma de Irene (Carmem Maura), mãe de Raimunda, voltou dos mortos para cuidar de Tia Paula. Enquanto isso, Raimunda enfrenta a dura tarefa de sustentar a casa, trabalhando de cozinheira e faxineira, enquanto o marido Paco (Antonio de la Torre) está desempregado e sua filha costuma passar horas falando ao celular. O olhar de Paco sobre a filha denota um desejo incontido e quando ele, bêbado, tenta possuí-la, ela o mata para se defender. Ao mesmo tempo, morre tia Paula, e essas duas mortes vão catalisar o desenvolvimento da história, fazendo o passado recuperar sua capacidade de não apenas explicar o presente, mas de também o transformar.&lt;br /&gt;            Volver é um filme essencialmente de mulheres. Os personagens masculinos são poucos e suas atitudes são tão desprezíveis, que eles servem basicamente de contraponto à sobrevivência feminina. Não é de supor, no entanto, que essas mulheres sejam ingênuas ou que suas ações estejam sempre carregadas de bondade. Mas elas agem na ânsia de superar os obstáculos, sejam eles a força de seu caráter, as dificuldades do cotidiano ou apenas o rigor de seu orgulho. E vale destacar, diante disso, a atuação segura e categórica de Penélope Cruz, que consegue dar a Raimunda, com a mesma sutileza, o tamanho de seu desespero e a profundidade de sua paixão.&lt;br /&gt;            Marcado para estrear em novembro, Volver certamente deve agradar pela destreza de sua comédia e pela profunda humanidade das personagens. Em sua primeira projeção no Brasil, no sábado dia 23 de setembro, dentro da programação do Festival do Rio, centenas de anônimos e famosos compraram seus ingressos com antecedência e se espremeram numa fila quilométrica para assistir Volver. Os aplausos entusiasmados ao fim da exibição levam a crer que dificilmente alguém se arrependeu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Publicado no caderno Augusto, do Jornal da Paraíba, domingo 01/10/2006&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115965221000904276?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115965221000904276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115965221000904276&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115965221000904276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115965221000904276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/09/volver-ao-gnero-cmico.html' title='Volver ao gênero cômico'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115838301401831975</id><published>2006-09-16T01:51:00.000-03:00</published><updated>2006-09-16T02:03:34.040-03:00</updated><title type='text'>Desilusão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não há nada pior que uma eleição sem disputa. O atual presidente, como todos temos acompanhado pelas pesquisas, está ali, em torno dos 50% porcento, e se não ganhar no primeiro turno (what's very unlikely...), duvido muito haver resposta a ele no segundo turno. Mas a verdade é que eu, agora exilado nessa cidade e nesse estado que não são meus, sinto realmente falta daquela emoção que acompanha a disputa eleitoral no nordeste brasileiro, aquela paixão encarnada que leva os mais sábios a pedir voto para os mais escrotos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui tamém há os que pedem votos. Mas o fato é que aqui eles verdadeiramente estão preocupados em lhe convencer, distribuem panfletos como se estivessem predizendo o apocalipse. E eu fico muito constrangido, ao passar pela rua, e as pessoas tentando me entregar aqueles santinhos, e eu respondendo, não, eu não voto aqui, mas mesmo assim eles insistem, e eu, educado e tolo que sou, acabo pegando. Não há nada pior que uma eleição sem disputa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dica para o Alckmin: Destrua todos os arquivos... rápido, rápido!!! E avise o Serra também...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115838301401831975?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115838301401831975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115838301401831975&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115838301401831975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115838301401831975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/09/desiluso.html' title='Desilusão'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115726021566448556</id><published>2006-09-03T01:47:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T02:10:15.690-03:00</updated><title type='text'>Ai que saudades de ti, Marinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A entrevista concedida pela candidata à presidência da República pelo PSOL, Heloísa Helena, no Jornal da Globo da última quinta-feira (31/08), foi um espetacular exemplo da boa e velha imparcialidade global. Os apresentadores William Wack e Cristiane Pelajo estavam muito à vontade para tratar dos assuntos realmente importantes para o desenvolvimento da nação: formulavam questões cuja única resposta era sim ou não, do tipo "se houver greve no setor público, a senhora vai cortar o ponto" ou "a senhora é a favor do aborto", e quando a candidata tentava se prolongar além dos dois segundos permitidos a cada resposta, um dos apresentadores intercedia, "mas a senhora não está respondendo o que perguntei". A atitude despótica e agressiva dos apresentadores por pouco não levou Heloísa Helena à loucura (há de se destacar, nisso tudo, o auto-controle que teve a candidata do PSOL, diante do que, por muito menos, pessoas normais já teriam levantado e saído no tapa).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Está de parabéns toda a direção e a produção do Jornal da Globo, com especial destaque para os apresentadores, que demonstraram a mais profunda consciência de seu papel enquanto jornalistas, formadores de opinião (seja lá o que isso signifique...) e, principalmente, personagens numa trama perfeitamente construída para transmitir a mais limpa e imparcial cobertura jornalística da televisão brasileira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se Charles Forster Kane, digo, Roberto Marinho estivesse vivo, lá da sala de sua casa no Cosme Velho, após assistir ao espetáculo, ele certamente daria aquele sorrisinho sagaz de canto de boca, mas o maior orgulho de sua cria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dica para Heloísa Helena: comprar um guarda-roupa que não seja de desenho animado; além disso, assistir a &lt;em&gt;Muito Além do Cidadão Kane, &lt;/em&gt;documentário produzido pela BBC de Londres e dirigido por Simon Hartog.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A quem interessar possa: &lt;a href="http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260618.shtml"&gt;http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/08/260618.shtml&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115726021566448556?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115726021566448556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115726021566448556&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115726021566448556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115726021566448556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/09/ai-que-saudades-de-ti-marinho.html' title='Ai que saudades de ti, Marinho'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115627559350411371</id><published>2006-08-22T16:22:00.000-03:00</published><updated>2006-08-22T16:39:53.593-03:00</updated><title type='text'>Sem pimenta e sem sal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A campanha ainda nem começou, disse Alckmin. Referindo-se, claro, ao baixo índice nas pesquisas. Mas isso também me fez pensar uma coisa: haverá campanha sem showmício de Zezé di Camargo e SandyJunior, sem meninos de rua entregando santinhos nos sinais, sem propagandas milionárias na tv globinho? Tudo isso é fundamental para que os ânimos dos eleitores se exaltem, reúnam-se em massa e manifestem suas opiniões. Sem isso a campanha será só o ingrato acompanhar dos horários eleitorais, o boca-a-boca na rua e alguma discussão furtiva num boteco (se alguém der uma facada em outro já será um grande avanço).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cheguei a pensar que a apatia quanto às campanhas estivesse no fato de o país inteiro estar acompanhando atentamente a CPI dos sanguessugas (em tempo: muito criativo o nome parasitário que define esses deputados e senadores). Mais de setenta envolvidos, bandidagem profissional, formação de quadrilha (João amava Teresa...) e apenas dois deputados renunciaram ao mandato antes da abertura do processo no conselho de ética! Uma maravilha para a democracia! E os índices de audência das tvs câmera e senado devem estar estratosféricos...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dica para o Rui Pimenta, coitado, que teve sua candidatura impugnada: ótima hora para trocadilhos: pimenta no cu dos outros...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115627559350411371?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115627559350411371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115627559350411371&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115627559350411371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115627559350411371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/08/sem-pimenta-e-sem-sal.html' title='Sem pimenta e sem sal'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115574683845478315</id><published>2006-08-16T13:34:00.000-03:00</published><updated>2006-08-16T13:47:18.483-03:00</updated><title type='text'>O sorriso dos lagartos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que há naqueles sorrisos, que é tão claramente uma mentira? Sou só eu, com a minha chatice endêmica, ou os sorrisos que povoaram o horário eleitoral ontem à noite (de todos, só o Luciano Bivar e o Rui Pimenta, que por enquanto não é mais candidato, não sorriram) parecem o esforço indecoroso de satisfação e luta para transformar o estado geral de coisas? Mas afinal, do que eles estão rindo? Que patriotismo mascarado, que miséria revolvida, que enganação mais pública o fazem rir e sorrir, gargalhar quase, abraçando crianças e idosos? Não agüento o sorriso dos bem-aventurados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa me chamou a atenção: apresentam o programa do Lula uma mulher, negra, um rapaz, índio, e um senhor, branco. A mulher falou dos projetos sociais, o rapaz, das obras e infra-estrutura e o branco falou de economia. Casual? Duvido. A síntese étnica dos apresentadores e dos temas que cada qual abordou representa muito de nosso povo e de como os atuais governantes o vêem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que todos os candidatos são versões mais ou menos similares da mesma consciência brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dica para os candidatos: Leiam Macbeth, de William Shakespeare&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115574683845478315?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115574683845478315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115574683845478315&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115574683845478315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115574683845478315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/08/o-sorriso-dos-lagartos.html' title='O sorriso dos lagartos'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115569746954197970</id><published>2006-08-15T23:49:00.000-03:00</published><updated>2006-08-16T00:04:29.600-03:00</updated><title type='text'>Eleições 2006 ou a rapsódia de um povo sem vergonha</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir de hoje, até o último domingo de outubro, esse será um blog estritamente político. Nada mais de escrever versos, analisar o amor ou inventar histórias sem sentido. Estarei todo esse tempo empenhado em acompanhar as peripécias daqueles seis candidatos (porque hoje à noite a candidatura do Rui Pimenta foi impugnada pelo TSE), em suas artimanhas para alcançar o trono e o cetro mais cobiçado do Planalto Central.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que é muito temerário, pois os já parcos leitores desse blog possivelmente migrarão para qualquer outro com notícias mais salutares. Mas sinto que é meu papel como cidadão brasileiro contribuir para o bom andamento do espectáculo, e garantir, através de vigilância contínua, que estejam preservados nessa campanha a moral e os bons costumes desse nosso povo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Portanto, preparem-se! Hoje, com o início do horário eleitoral, abriram-se definitivamente as cortinas para o grande show!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dica para os candidatos (que jamais lerão esse blog, claro): Assistir &lt;em&gt;A Regra do Jogo&lt;/em&gt;, de Jean Renoir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115569746954197970?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115569746954197970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115569746954197970&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115569746954197970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115569746954197970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/08/eleies-2006-ou-rapsdia-de-um-povo-sem.html' title='Eleições 2006 ou a rapsódia de um povo sem vergonha'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115531872593873344</id><published>2006-08-11T14:41:00.000-03:00</published><updated>2006-08-11T14:52:06.483-03:00</updated><title type='text'>TEN</title><content type='html'>1 - O olho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Em uma pequena localidade no interior da Paraíba, houve um homem que predisse, sessenta e dois anos antes, o verdadeiro instante de agora, em que escrevo este texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Demorei a levantar hoje porque eu sinceramente sonhei que essa viagem diária entre a minha saída e a minha chegada, que consome uma boa parte das horas de minha vida, pudesse ser interrompida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Todas as câmeras de vigilância apontam para o passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - Desde que cheguei aqui, todas as minhas fotografias só guardam saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - Os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - A pornografia me alimenta mais que meu próprio canibalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - 8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - Permaneço visivelmente abalado: tudo se deu entre o flash e a captura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Tirésias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115531872593873344?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115531872593873344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115531872593873344&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115531872593873344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115531872593873344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/08/ten.html' title='TEN'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115423930484794416</id><published>2006-07-30T02:54:00.000-03:00</published><updated>2006-07-30T03:01:44.860-03:00</updated><title type='text'>8</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;    marola mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amor&lt;br /&gt;em forma de escambo:&lt;br /&gt;amorfo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dá-se e não-se&lt;br /&gt;recebe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o amor&lt;br /&gt;enfarte lento&lt;br /&gt;                 moroso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;instante-tempo:&lt;br /&gt;pronto!&lt;br /&gt;e se fazendo&lt;br /&gt;a (cada) morno&lt;br /&gt;gracejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inteiro&lt;br /&gt;,aos cacos,&lt;br /&gt;o amor&lt;br /&gt;faz-se&lt;br /&gt;em forma de pacto&lt;br /&gt;trégua tortura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e se amiúda&lt;br /&gt;intenso&lt;br /&gt;em forma de embate:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ganha quem perde&lt;br /&gt;pois amor&lt;br /&gt;assim:&lt;br /&gt;convívio...&lt;br /&gt;não há&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse isso&lt;br /&gt;ruído eco&lt;br /&gt;por si assim se dá&lt;br /&gt;somente quando se faz&lt;br /&gt;em sua forma fôrma&lt;br /&gt;de assaz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;du-elo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcel Vieira&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115423930484794416?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115423930484794416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115423930484794416&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115423930484794416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115423930484794416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/07/8.html' title='8'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115350478786738744</id><published>2006-07-21T14:54:00.000-03:00</published><updated>2006-07-21T14:59:47.910-03:00</updated><title type='text'>Amor, parte sete, ou porque minha criatividade é míngua e carece postar</title><content type='html'>Versos de amor&lt;br /&gt;(Augusto dos Anjos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A um poeta erótico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece muito doce aquela cana.&lt;br /&gt;Descasco-a, provo-a, chupo-a . . ilusão treda!&lt;br /&gt;O amor, poeta, é como a cana azeda,&lt;br /&gt;A toda a boca que o não prova engana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis saber que era o amor, por experiência,&lt;br /&gt;E hoje que, enfim, conheço o seu conteúdo,&lt;br /&gt;Pudera eu ter, eu que idolatro o estudo,&lt;br /&gt;Todas as ciências menos esta ciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, este o amor não é que, em ânsias, amo&lt;br /&gt;Mas certo, o egoísta amor este é que acinte&lt;br /&gt;Amas, oposto a mim. Por conseguinte&lt;br /&gt;Chamas amor aquilo que eu não chamo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oposto ideal ao meu ideal conservas.&lt;br /&gt;Diverso é, pois, o ponto outro de vista&lt;br /&gt;Consoante o qual, observo o amor, do egoísta&lt;br /&gt;Modo de ver, consoante o qual, o observas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o amor, tal como eu o estou amando,&lt;br /&gt;É Espírito, é éter, é substância fluida,&lt;br /&gt;É assim como o ar que a gente pega e cuida,&lt;br /&gt;Cuida, entretanto, não o estar pegando!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a transubstanciação de instintos rudes,&lt;br /&gt;Imponderabilíssima, e impalpável,&lt;br /&gt;Que anda acima da carne miserável&lt;br /&gt;Como anda a garça acima dos açudes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para reproduzir tal sentimento&lt;br /&gt;Daqui por diante, atenta a orelha cauta,&lt;br /&gt;Como Marsias — o inventor da flauta —&lt;br /&gt;Vou inventar também outro instrumento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de tal arte e espécie tal fazê-lo&lt;br /&gt;Ambiciono, que o idioma em que te eu falo&lt;br /&gt;Possam todas as línguas decliná-lo&lt;br /&gt;Possam todos os homens compreendê-lo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que, enfim, chegando à última calma&lt;br /&gt;Meu podre coração roto não role,&lt;br /&gt;Integralmente desfibrado e mole,&lt;br /&gt;Como um saco vazio dentro d'alma!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115350478786738744?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115350478786738744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115350478786738744&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115350478786738744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115350478786738744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/07/amor-parte-sete-ou-porque-minha.html' title='Amor, parte sete, ou porque minha criatividade é míngua e carece postar'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115297674740776664</id><published>2006-07-15T12:07:00.000-03:00</published><updated>2006-07-15T12:19:07.583-03:00</updated><title type='text'>Amor (parte VI): Taxonomia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O amor é um urso faminto, uma raposa, ou mesmo uma hiena; é uma bala perdida, uma cadeirada nas costas; é um braço recém-amputado, em cujas veias corre ainda o sangue do corpo partido; o amor, no breve estalo de sua aparição instantânea, é uma flecha além do arco, ainda virgem, mas segura em seu trajeto; é o amor uma topada, um atropelamento, uma morte; é ainda um relâmpago sem luz, uma diarréia, uma falha na estrutura; ah!, o amor é a fome dos poros, o suor agridoce da primavera, o ar passeando entre os prédios; e é a janela que é palácio que é espelho que é platéia; e é também o amor a secreta simpatia entre os opostos, o simples reificado, o extraordinário em cima da mesa; e o amor é o cansaço da esperança, e é o pecado, e é a esperança; e o amor é o tempero sobre a carne crua, o pássaro que se pronuncia, a mão, o olho, o vaso que esbarrado se esparrama; e o amor, o amor é o canibalismo ingênuo dos faróis, e é a fissura no rosto imberbe, o tímpano cego; oh!, o amor é tático, tísico, tépido; é vidro estilhaçado, pedra que se planeja, mão que se atreve; o amor é tudo; é certa melancolia inominável, tanto de risco, tanto de verbo, algo de velada cumplicidade; o amor é antes e depois, é criança que cresce, lembrança tímida de outros carnavais; o amor é Laio, lacaio, maleita; é ancestral novidade, vingança autopunitiva; o amor é sempre, lençol aquém do frio, calor; o amor é nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115297674740776664?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115297674740776664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115297674740776664&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115297674740776664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115297674740776664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/07/amor-parte-vi-taxonomia.html' title='Amor (parte VI): Taxonomia'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115272153251358135</id><published>2006-07-12T13:17:00.000-03:00</published><updated>2006-07-12T13:25:32.530-03:00</updated><title type='text'>The strange darkness of thy pillows - Amor, quinta parte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E as traições? Que dizer das traições, quando enfim estamos entretecidos na vontade e na necessidade da companhia outra, ah!, quando em nossos gestos há apenas a esperança de se juntar à pessoa amada, enfim, logo aí quando cedemos aos imbróglios da dúvida e do pânico, à intermitência silenciosa dos fantasmas e ao seco orgulhoso da infelicidade atátiva, aí então a pessoa a quem damos nossas melhores horas, nossas mais bem acabadas obras, nossos segredos e nossos pés, essa mesma pessoa consagra à nossa fé a graça maravilhosa de uma traição...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso mesmo dizem os chocolates: serve de pântano ou serve de lágrima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;VERDADE: NUNCA CONFIAR AO CEGO OS SEGREDOS DO COFRE.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115272153251358135?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115272153251358135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115272153251358135&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115272153251358135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115272153251358135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/07/strange-darkness-of-thy-pillows-amor.html' title='The strange darkness of thy pillows - Amor, quinta parte'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115232937363509154</id><published>2006-07-08T00:27:00.000-03:00</published><updated>2006-07-08T00:37:17.946-03:00</updated><title type='text'>Amor (Parte IV) ou o caso de um anedotário cordial</title><content type='html'>Sempre feche a janela no frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os caminhos levam para o centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abra os olhos quando pedir perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas cabeças pensam melhor quando são inimigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compartilhe consigo mesmo apenas o que é público. O particular só interessa aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que te dizem os amigos é simples: eles possuem a verdade que só não se aplica a eles mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca confie numa mulher: ela é um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é um caco de vidro: se pegá-lo, corta; mas você nunca o deixa solto no chão, na piedade vã de que alguém se machuque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O beijo é sujo, posto que até se fecha os olhos para evitar o asco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda satisfação é tímida: toda intimidade é pública: todo prazer é físico: todo silêncio é fálico: toda canção é última: toda vontade é ínfima: todo Otelo, Desdêmona: todo poder é tácito: toda paixão é química: todo fervor é plácido: toda saudade é tísica: todo amor é plástico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;A despedida nunca é plena se há saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobra farinha nos olhos de quem ama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nudez é sempre vergonhosa, porque supomos em nossos corpos despidos o desenho de nossos erros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro é uma colher imersa numa xícara de café frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só há verdade em nossos segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto é amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115232937363509154?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115232937363509154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115232937363509154&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115232937363509154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115232937363509154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/07/amor-parte-iv-ou-o-caso-de-um.html' title='Amor (Parte IV) ou o caso de um anedotário cordial'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115186250334764201</id><published>2006-07-02T14:43:00.000-03:00</published><updated>2006-07-02T14:48:23.363-03:00</updated><title type='text'>Amor (Parte III)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando o trato é isso – não somente da ordem dos sentimentos ou das palavras inauditas, mas de tudo o que nos apequena somente em pólens, dispersos –, uma questão me tem ocupado as derradeiras horas: de homem e mulher, cada qual envolvido particularmente nesses imbróglios de amor, qual deles é o mais idiota? Não, não exatamente porque haja algum tipo de imbecilidade compartilhada, a níveis cúmplices, mas porque parece que há maneiras específicas de tanto homem quanto mulher se deixarem avariar pela idiotia de um amor impossível. Todos são interceptados por essas setas tortas de poluição sentimental e pânico (só pânico) de viver. Mas cada qual o é de maneira única.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vejamos. Para os homens, talvez haja a vantagem e a cobardia de uma posição quiçá mais elevada na hierarquia das relações. A eles, está endereçado o sucesso aparente de impor a força de suas fibras e as fímbrias de sua vontade. E embora, a um primeiro olhar descuidado, possamos atribuir aos homens alguma verdade nessa questão, devo averbar que se trata tão somente de uma ilusão ingênua, falácia fálica. Pois a essa (repito) aparente imposição bem-sucedida dos gostos masculinos, as mulheres respondem com um auto-conhecimento irretocável e uma cumplicidade classista, atávica, uma espécie de sisterhood of broken hearts. Elas dominam com destreza e suavidade a capacidade de mandar como se estivessem pedindo, de gritar aos sussurros, de chorar sorrindo, de reclamar caladas, de trair como se prestassem um favor. E com essa saliva peçonhenta, elas envenenam todo o corpo, em cuja pele caminha a lei da perfídia, e o espírito, que subjugado se rende a quaisquer pedidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas também, quando não, facilmente essas mulheres se deixam envolver pelas palavras malevolentes de alguns homens que sabem ludibriar com perícia. Pois, a partir do instante em que um homem convence uma mulher de que ela deve ser sua, nada mais impede que a relação se consuma, e essa mulher permanecerá longo tempo ainda dominada e possuída. Quantas não são as mulheres que, abobalhadas ante um homem que lhes dê e lhes ensine algo (seja porque é mais velho, mais experiente, mais garboso ou rico), entregam todos os seus domínios e ainda se deixam acreditar num possível amor? Qual patético! Depois de usadas e expelidas, elas sofrem muito e ainda passam a vida toda acreditando que esse desprezo foi culpa de circunstâncias outras, não do simples fato que o homem queria uma boa foda e nada mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A verdade disso tudo é que os relacionamentos são exercícios de poder, e nesse caso o amor constitui tão somente uma fraqueza, uma brecha por onde entra o inimigo e domina e destrói sua vida enquanto não for expulso (para sempre!) dos planaltos do corpo, das lembranças inseguras e do paladar do coração. Não existe diálogo, existem palavras. Não há sinceridade, há interesses. Não há prazer, mas só dependência. Pois os seres humanos (homens e mulheres em seus cercados) são criaturas essencialmente sós. Não existem mãos dadas, existem olhos fechados. Não há carinho, há tédio. Não há descanso, há desejo. Amor: nada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apenas solidão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115186250334764201?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115186250334764201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115186250334764201&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115186250334764201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115186250334764201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/07/amor-parte-iii.html' title='Amor (Parte III)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-115029281351982292</id><published>2006-06-14T09:50:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T10:46:53.603-03:00</updated><title type='text'>Amor (Parte II)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Se uma recordação, um desgosto que a gente sinta são capazes de nos abandonar, a ponto de não os percebermos mais, também voltam às vezes e por muito tempo não nos largam. Havia noites em que, atravessando a cidade para ir ao restaurante, sentia tantas saudades da Sra. de Guermantes que mal podia respirar: dir-se-ia que uma parte do meu peito fora seccionada por hábil anatomista, retirada e substituída por uma porção igual de sofrimento imaterial, por um equivalente de nostalgia e de amor. E, por mais bem-feitos que fossem os pontos de sutura, a gente vive muito mal quando a saudade de alguém substitui nossas vísceras, parece que aquela ocupa mais lugar do que estas, sentimo-la permanentemente, e depois, que ambigüidade sermos obrigados a &lt;/em&gt;pensar&lt;em&gt; uma parte do nosso corpo!" (Marcel Proust - Em busca do tempo perdido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;O amor, diriam os estetas, está no nível do sublime a que tentam chegar, nunca com completo sucesso, as manifestações artísticas. Faz-se muito esforço para que as exortações líricas busquem o patamar sensitivo que os homens costumeiramente comparam com o do amor. Há de se pensar, quando dizemos isso, que talvez estejamos perto de alguma resposta quando associamos o amor ao sensitivo, à sensibilidade. O sensível é aquilo que, mediante estímulo externo ou interno, transforma o estado de percepção do corpo, permitindo-lhe uma experiência singular diferente do estado de repouso a que se está submetido na vida cotidiana. Talvez no amor haja a confluência de um aguçar limítrofe da sensibilidade corpórea, com uma insatisfação pungente de não adequação ao comum da experiência vivida (que em casos extremos tende à depressão e à poesia), e, por fim, com um intenso desejo de partilhar com outrem as angústias íntimas que formam o indivíduo e transformam sua vivência em vazio e solidão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando se está junto da pessoa amada – não tenho como contestar – há alguns momentos de satisfação intensa que de outra forma talvez não seriam alcançados. No entanto, a raridade desses momentos é tanta, que seria o mesmo que possuir uma valorosa e bela gargantilha de diamantes, mas mantê-la num cofre e não poder usá-la com medo de que a roubem. Pois os instantes de letargia partilhada são o grosso da vida a dois, além dos momentos de afastamento (em que a saudade instaura um golpe de estado e domina o pensamento e as ações), das explosões de ciúme, da dúvida, do tédio, do abuso do mesmo corpo, da míngua do desejo, do conflito de vontade, da necessidade de procriar, e mais o mais que cimenta dois seres distintos que devem apequenar suas individualidades a fim de tornar a vida real ao menos possível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Continuo convencido: não amar ainda é a alternativa mais plausível para que os tantos anos de existência na face desta terra sejam regados de alguma tranqüilidade. Ser livre é estar em paz, sem transtornos íntimos, sem vontades aprisionadas, sem saudades inalcançáveis, sem prazeres viciosos, enfim, completamente isento de quaisquer compromissos inquebrantáveis, que só transtornam as atividades essenciais de permanecer vivo e passar pelo mundo e sair desse mundo sem a sensação de que teria sido bem melhor se tudo não tivesse existido em função de outra pessoa que não transcende, se tudo tivesse sido simples, sem contestações e sem amor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-115029281351982292?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/115029281351982292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=115029281351982292&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115029281351982292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/115029281351982292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/06/amor-parte-ii.html' title='Amor (Parte II)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114790509174713266</id><published>2006-05-17T19:31:00.000-03:00</published><updated>2006-05-18T12:27:05.953-03:00</updated><title type='text'>Amor (Parte I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Patético. Simples e simplesmente patético é aquele que ama. Rio na sua cara amarela, escarneço de seus gestos comedidos. Sim, pois é patético todo aquele que guarda na esperança de outra pessoa toda a possibilidade de uma cumplicidade hipotética. Ah, coitado do pobre que doa sua atenção, sua alma caridosa, sua preocupação cotidiana à pessoa amada. Aquele que abandona os defeitos, que deixa de fumar, que larga dos amigos de má-influência: são todos e todos uns coitados! Que ganha aquele que ama? Que glória, que condição suprema, que gozo inalcançável sente quem se entrega na exclusividade espúria do amor? Nada! Absolutamente nada! Só e somente só a experiência de ser patético: é isso que recebe quem ama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguém, em qualquer parte do mundo, que apresente uma – apenas uma – razão que seja suficientemente plausível para se entregar ao amor? Alguma alegria única, alguma vitória que de outra forma seria impossível, alguma necessidade pungente da existência humana? Nada! Todas as respostas são vivências particulares, relativizadas pela idiotia da paixão, jamais totalizantes da experiência coletiva, em que todos possam se espelhar e se predizer. Não! Não há uma criatura que apresente uma resposta possível para tais indagações! Tudo é uma doação cega à atividade escusa de amar. Mas o que se ganha disso, ninguém sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No máximo, há os que dizem que o amor não é mensurável pelas diretrizes lógicas da razão, e, diante disso, não se pode elaborar ou listar as razões pelas quais alguém ama. E os partidários dessa tese – e podem confirmar com seus conhecidos! – são aqueles que amaram somente na imaginação, os platônicos de beira de praia, que não sabem a experiência coletiva de articular sua existência a partir das condições do amor. “O coração tem razões que a própria razão desconhece”, dizem os estúpidos. Mas se ele possui razões não racionais, ou seja, que não se limitam pelos paradigmas do pensamento, então tudo isso, novamente, não passa das experiências particulares, nas quais se pode constar, quiçá, problemas mentais, depressões e ansiedades jamais imagináveis. Se não se pode questionar o amor, ele é dogma. E todo o dogma é arbitrário e particular, cuja relativização tende a zero. Amam os tolos, os loucos e os poetas, porque são doentes. O resto pensa que ama, ou admira esse amor, e defende algo que nunca experimentou nem sentiu. Ama o invisível e a vontade de amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu conselho para os mortais: não amem! Não sigam escondidos os passos da pessoa, jamais espreitem sua vida cotidiana. Nunca confiem a outra pessoa seu corpo inerte, nem compartilhem com outros olhos as madrugadas insones. NÃO! NÃO! NÃO! Não percam as melhores horas de sua vida esperando os movimentos lentos de outro ser. Para quê, me digam? Há motivo? Ninguém mensura as alegrias “inenarráveis” do amor, mas todos sabem, usando dos melhores adjetivos, listar as desgraças decorrentes da vida a dois. Por que ariscar, então? Se houver alguns momentos de alegria, no fim – porque tudo acaba – os momentos de miséria serão sempre mais ou muito mais presentes. Não há escapatória...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, descansem. Masturbem-se vez em quando, conversem amenidades ilusórias com alguns amigos, visitem seus segredos mais íntimos. Até dos menores gestos têm-se que dar conta quando se ama. Livrem-se de tais aporrinhações. Livrem-se! Se é de liberdade que seu espírito sente falta, não ame jamais!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114790509174713266?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114790509174713266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114790509174713266&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114790509174713266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114790509174713266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/05/amor-parte-i.html' title='Amor (Parte I)'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114721697584823378</id><published>2006-05-09T20:19:00.000-03:00</published><updated>2006-05-09T20:22:55.866-03:00</updated><title type='text'>As chaves de casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Possuir as chaves de casa, quando ainda se mora com os pais, é um dos primeiros momentos em que se goza da boa e ilusória sensação de liberdade. Ilusória porque o ir-e-vir será sempre limitado pelas diversas complicações da vida cotidiana (leia-se: falta de autonomia e, principalmente, de dinheiro). E boa porque possuir as chaves de casa demonstra que estamos mais aptos a sair que a permanecer, ou melhor, que nossos caminhos estão se delineando mais da porta pra fora do que da porta pra dentro. Ainda que criança, possuir as chaves de casa nos torna mais homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o meu problema é que eu sempre fui – e ainda sou – um exímio perdedor de chaves. Não adianta, é imutável, atávico e além de tudo, bastante comum: basta um molho de chaves cair nas minhas mãos que em instantes, enquanto o olhar ligeiramente se desvia, eu já inexplicavelmente o perco. Assim, de repente, como se fosse por intenção, numa pratical joke, as chaves somem de meu raio de visão, caem em qualquer vão ou se escondem embaixo do tapete, e horas e horas levarei até encontrá-las. Isso sempre ocorreu, sempre. Até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe escondia as chaves de mim, receosa de alguma investida descuidada de meus dedos. Chegava ao ponto de – acreditem – a fechadura do meu quarto ser a mesma do quarto de meus pais. Isso porque, em caso de alguma perda involuntária (de minha parte, claro), tinha-se prontamente outra chave para substituir. E falando nisso, minha casa costumava ser o paraíso das cópias. No armário de minha mãe havia caixas e mais caixas repletas de similares idênticos de todas as chaves de casa, fosse a da porta de entrada, dos quartos, dos cadeados ou mesmo do automóvel. Chegava a ser cômico quando, após tomarmos café da manhã, todos bastante atrasados pra suas obrigações, íamos sair e alguém notava o surpreendente sumiço da chave do carro. Todos olhavam imediatamente para mim, que não fazia nada além de dar de ombros e começar a refazer meus próprios caminhos em busca da chave perdida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teorias muitas já elaborei para justificar minha capacidade sobre-humana de involuntariamente perder as chaves. Punha a culpa em minha desatenção, nas atribulações diárias, em traumas infantis, vidas passadas, gnomos, fadas, espíritos. Culpava minha constante busca da poesia, minha imaginação literária, a solidão e o tédio. Nada disso, no entanto, poderia transmitir com precisão as motivações de minhas perdas. Hoje, que estou morando longe de casa pela primeira vez, penso que escondia inconscientemente as chaves porque não queria sair, nem queria que ninguém saísse. Eu queria preservar sempre intacta minha casa e meu quarto, queria nunca me distanciar de minha família e meus amigos. Trancá-los junto a mim, possuí-los sempre! O pouco tempo a mais que levávamos procurando era um dos únicos instantes em que a família parecia ocupada conjuntamente com um mesmo problema. Enquanto todos estavam chateados comigo por causa das chaves, isso os unia de modo único, ainda que nunca tivéssemos consciência disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só pra constar: em menos de dois meses, já consegui perder as chaves de minha casa nova.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114721697584823378?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114721697584823378/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114721697584823378&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114721697584823378'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114721697584823378'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/05/as-chaves-de-casa.html' title='As chaves de casa'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114661255581895183</id><published>2006-05-02T19:39:00.000-03:00</published><updated>2006-05-02T20:41:52.670-03:00</updated><title type='text'>As ondas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/1600/cristo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 272px; CURSOR: hand; HEIGHT: 187px" height="187" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/320/cristo.jpg" width="291" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Toda manhã, a caminho da faculdade, eu passo pela orla de Icaraí, em Niterói. Vou acompanhado de minha mochila (em que carrego uns tantos livros, cadernos, canetas, água, biscoitos e outros suprimentos indispensáveis para a sobrevivência estudantil), além de um sono pouco amigável, que reluta em ceder ante a rigorosa pontualidade das aulas do mestrado. Sempre acontece, desligado que sou, de eu quase esquecer de observar a praia, de assistir ao balanço das ondas tristes perdendo-se ao encontro da areia e das pedras. Quando reparo, porém, na constante observância de Poseidon, no vaivém saudoso da marola, nos contornos geográficos dos morros que rodeiam a baía de Guanabara, enfim, quando consigo admirar a natureza como ela se me dispõe, assim, inquebrantável, eu não posso deixar de me recriminar pela estranha mania de permanecer vivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo: as águas da Guanabara são um convite para um afogamento suicida. Quando transito de ônibus pela ponte Rio-Niterói, não dá para negar o irresistível impulso de desejar que o motorista se distraia e jogue o carro direto embaixo. Toda vez eu fico imaginando qual seria minha reação, se gritaria extasiado e temeroso, se me agarraria a algo para tentar sobreviver, ou se simplesmente calaria, fecharia os olhos e respiraria fundo. Talvez tudo isso, ou mesmo nada disso. Ter o Cristo Redentor assim, de braços abertos, assistindo a sua morte desastrosa, devo confessar que guarda uma certa poesia macabra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também quando retorno para casa, é pela orla de Icaraí que sigo. Só que aí já não me invade quaisquer sentimentos autodestrutivos, senão apenas um cansaço dos músculos e nervos tesos. Nesse momento, sei muito bem que minha vida é um resumo cruel de minhas atitudes e minhas omissões, juntamente com uma interferência pouco justa da sorte e um monte de medos encalacrados. E diante disso, morrer - ou matar-me, que seja! - está tão longe de minhas mãos, distante da imaginação que crio para o que há de ser meus dias futuros, minhas horas de sossego ou apreensão, minha prole, meu sucesso, minhas perdas e minha morte, ela mesma. Pois até mesmo o que sou é muito do que ainda serei. E disso eu não posso escapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querer morrer eu sempre quis, há muito tempo. Talvez desde quando eu tomei conta de meus defeitos e minhas limitações, que ainda hoje mais me podam do que me estimulam. E queria morrer por um sem-número de motivos, fosse por pânico, aversão ao mundo, incompetência literária, tumultuosas incursões nas catedrais da paixão, fosse por pavor do escuro, por pura preguiça de viver ou mesmo por medo de morrer. Hoje, quero morrer às vezes por solidão, às vezes por dúvidas quanto a minhas escolhas profissionais, mas principalmente porque estou crescendo. Porque tanto o mundo quanto eu mesmo não admitem mais uma infância permanente, porque agora estou me tornando homem e porque disso não há como fugir. E porque sei que agora - não sei se pra melhor ou pior - se o ônibus cair da ponte Rio-Niterói (e, claro, eu não morrer na queda), tenho certeza de que conseguirei nadar até a praia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114661255581895183?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114661255581895183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114661255581895183&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114661255581895183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114661255581895183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/05/as-ondas.html' title='As ondas'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114485058117219367</id><published>2006-04-12T10:53:00.000-03:00</published><updated>2006-04-12T11:13:21.363-03:00</updated><title type='text'>Bonecas Russas: a metalinguagem do amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/1600/L_auberge_espagnol.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px" height="208" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/320/L_auberge_espagnol.jpg" width="162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O sucesso de Albergue Espanhol (L’Auberge Espagnol, 2002), de Cédric Klaspich, poderia ser atribuído, primeiramente, à capacidade de atingir em cheio o público a que se dirige: jovens recém-saídos da adolescência, que têm de sair de casa para estudar, e de enfrentar os encontros e desencontros dos primeiros amores. A narrativa é ágil, entremeada pela narração do protagonista Xavier (Romain Duris), um estudante parisiense de economia que viaja a Barcelona para fazer uma especialização. Quando voltar à França, tem garantido um emprego numa multinacional. Todavia, como as melhores histórias da antiguidade, a viagem de Xavier não é meramente profissional, mas uma empreitada de autoconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O albergue do título é um microcosmo que representa a Europa unificada: nesse pequeno apartamento de estudantes convivem um alemão superorganizado, um italiano desleixado, porém companheiro, uma inglesa obcecada por limpeza que não sabe se divertir, um dinamarquês e uma espanhola que se curtem, uma francesa lésbica e Xavier, que deixara em Paris a namorada da faculdade, Martine (Audrey Tautou, de Amélie Poulain), e se relaciona com uma mulher casada que conheceu no aeroporto. A experiência com essas pessoas, que encarnam a multiplicidade de personalidades e culturas que a globalização, embora muitos apregoem, não conseguiu destruir, enfim, essa experiência faz Xavier encontrar o seu verdadeiro caminho: ele, desde pequeno, quer ser escritor, e o primeiro livro que se põe a escrever, sem surpresa, chama-se Albergue Espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso tudo, esse texto tem outro propósito: comentar sobre a continuação de Albergue Espanhol, Bonecas Russas (Les Poupées Russes, 2005), escrita e dirigida também por Cédric Klaspich. O estilo da narrativa continua desenvolto e ágil, só que, como o conteúdo do filme, também mais maduro. Ao passo que no primeiro filme os personagens são estudantes tentando encontrar seus caminhos, em Bonecas Russas eles estão chegando nos 30, são agora profissionais no que fazem, mas continuam se procurando: cada um a seu jeito busca algo, seja um amor consistente, seja comer aquela mulher bonita que conheceu no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Xavier agora é um escritor, embora medíocre, que vive ora como roteirista de melodramas para TV, ora como ghostwriter de uma modelo linda e vazia. Sua viagem pessoal agora é outra: ele busca o amor verdadeiro, enquanto se envolve com diversas mulheres que vão e vêm. Como diz um ditado de minha terra: “Enquanto não encontro a mulher certa, vou comendo as erradas”. É mais ou menos nesse caminho que segue Xavier, ora errando ora acertando e, novamente errando. Onde vai chegar, não sabemos nós nem sabe ele: talvez a canto algum, talvez ao amor, enfim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/1600/les_poupees_russes.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="271" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/320/les_poupees_russes.jpg" width="223" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi a estrutura do filme. Uma boneca russa, para quem não sabe, é aquela que dentro dela há outra, e dentro dessa há outra, e nessa há outra, assim sucessivamente. E a forma do filme é assim: Xavier está num trem, escrevendo uma história, que é a sua e a do filme; e no filme há outras histórias que se escrevem, umas dentro das outras, até o fim. E é essa a metáfora que move a história (seja o filme, a vida de Xavier ou o livro que ele escreve): Todas as mulheres com quem Xavier se relacionou não passam de bonecas russas, uma depois da outra, e sempre em busca da última, a que ele vai guardar consigo, nalgum lugar escondido e seguro, só seu. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/376/1182/1600/les_poupees_russes.jpg"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114485058117219367?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.marsdistribution.com/site/poupeesrusses/web/main/index.html' title='Bonecas Russas: a metalinguagem do amor'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114485058117219367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114485058117219367&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114485058117219367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114485058117219367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/04/bonecas-russas-metalinguagem-do-amor.html' title='Bonecas Russas: a metalinguagem do amor'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114409689916047373</id><published>2006-04-03T17:40:00.000-03:00</published><updated>2006-04-03T17:41:39.173-03:00</updated><title type='text'>Cabelo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei ao certo quando começou. Sei apenas que, tão logo me dei conta, já era inevitável. Aquilo estava acontecendo lentamente, às escuras, confiando na minha displicência para não notá-lo e, assim, não tomar qualquer providência. E não tomei, afinal. Não exatamente porque fosse irremediável, mas por apostar em meu poder e minha tranqüilidade diante dos fatos. É que nunca se tem real consciência dos efeitos da passagem do tempo, do que ele é capaz de transformar e destruir, de tudo o que a caminhada inexorável das horas leva em sua bagagem. Pois o tempo que conhecemos é imóvel, está enganosamente concretizado nas palavras e números que estabelecemos para representá-lo. Mas no tempo não há nada de imobilidade, o tempo talvez seja o único substantivo que carrega em si exclusivamente atributos de verbo. Enfim, foi-me assim, de súbito, que tomei noção do que o tempo me fizera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fato que demorei a aceitar. Negava-me intimamente o que acontecia, não me deixando cair nos comentários jocosos das pessoas. Muito menos me permitia admitir as marcas inegáveis que ficavam por onde passava. Eu assumia uma sobriedade indistinta, circunspecta, e assim ia me iludindo, pois enquanto as mudanças eram apenas sutis, enquanto as circunstâncias em que elas se denotavam eram unicamente casuais, eu não me permitia confessar o que se dava. E o que se dava – embora me tenha sido duro aceitar – é que eu estava ficando careca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A calvície, essa erosão capciosa, devastadora, dos fios capilares, que desprotege a cabeça contra a luz e contra o fio, que transforma o modo como as pessoas me vêem, impondo ao mesmo tempo um respeito imponente e uma hilaridade impudica, enfim, essa calvície não é somente uma mudança fisiológica da aparência, mas, principalmente, uma metamorfose violenta de estado de alma. Fica-se mais responsável, mais homem que menino, aprende-se a lidar com as necessidades que a vida impõe, ou seja, numa palavra: amadurece-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A falta de cabelos, que ainda não é total, mas que caminha com irrefreável rapidez, pode sem dúvida ser o marco simbólico de minha entrada na vida adulta. Nessa vida que a cada dia surpreende com uma mudança nova, com novos climas, novos lugares, novas histórias e novos personagens. Em que até mesmo os reencontros são cercados de novidades. E em que cada vez que saio de casa, cai-me sobre a cabeça desprotegida a promessa luminosa da aventura de viver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114409689916047373?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114409689916047373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114409689916047373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114409689916047373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114409689916047373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/04/cabelo.html' title='Cabelo'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114377218962940217</id><published>2006-03-30T23:28:00.000-03:00</published><updated>2006-04-01T12:56:13.906-03:00</updated><title type='text'>O mesmo homem de sempre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tocou-lhe o despertador e, certo foi, não sem demora custou a Caio levantar-se. Não que aquilo fugisse ao hábito, é verdade; em geral, levava até mais tempo para despertar. Só que naquela segunda-feira, precisamente, havia nela um cansaço estranho, que não se justificava pelo domingo que tivera. Fora bem cedo para a cama; inclusive nem lera por inteiro a revista semanal: de repente, pesaram-lhe as pálpebras e o sono o levou. Nem sonhos, ao que lembrava, haviam perturbado o seu descanso. Mas parecia de fato ser-lhe impossível levantar, e não por preguiça, fique bem claro! Seus músculos é que demoraram a responder, exaustos que estavam de uma fadiga invisível. Ergueu-se com dificuldade, escorando no armário para não cair. Com grande esforço caminhou, titubeando, e chegou até o banheiro. Ao espelho viu, surpreso, que continuava o mesmo homem de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois quando o despertador tocou, nada impedia que Caio se erguesse sem maçada. Claro que isso consistia em parte de sua rotina, sendo patente, inclusive, haver vezes de maior demora. Porém essa segunda-feira o surpreendia com uma inquietação não muito classificável, quiçá bem menos cognoscível. Na noite anterior, deitara-se sem retardo; tampouco houve perturbações noturnas. O que se dava era uma desobediência dos membros, lassos e rijos. Percorria-lhe uma sensação desagradável; arduamente, pôde levantar-se e atravessar o corredor rumo ao banheiro. Lá, refletido, assombrou-se com a imagem do mesmo homem de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E isso não explicava a demora de Caio, ante o toque do despertador. Costumeiramente, até se deixava mais tempo na cama. A segunda-feira, todavia, afigurava-se-lhe um dia novo, que se refletia numa lassidão do corpo inerme. No domingo, só descanso. Donde vinha, então, aquele cansaço? Da noite é que não era: nem pesadelo, nem pensamento. Pôr-se em pé não conseguia; bem, conseguiu, trabalhosamente. E do quarto foi ao banheiro. Com o passo lerdo, lento, o peso. Mas ao espelho encontrou apenas o mesmo homem de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foi aí que ouviu-se o toque, o toque, o toque, e Caio nada de erguer-se. Nada de erguer-se, não com em geral, que mais e mais. Mas nada de erguer-se em especial, que a segunda-feira lhe dava. E sem razão, tudo o tudo, pois com placidez plasmou-se o domingo. Além disso, a noite se arrolara, leve, como folha em poça d’água. Só o que não seguia era o movimento, que em si mesmo é imóvel. Mas em pouco coube a Caio ir, pés ao chão, rumo ao banheiro. Esforço ao dorso, palma da mão, sentido. E repetido ao espelho, a raios de luz, coloria-se o mesmo homem de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se o despertador tocar era fato, já está claro que não o era Caio levantar-se. E que aquilo não fazia parte de seu dia-a-dia, também. Geralmente – já bem o dissemos –, permanecia deitado um pouco mais. Sobre o que lhe apontava a segunda-feira, bem como sobre aquele domingo tranqüilo, nada há mais que acrescentar. Talvez valha a pena relembrar somente que durante a noite dormira sem sobressaltos. À dificuldade de sair e seu trajeto tormentoso, também, nada há o que acrescer. A única novidade era o mesmo homem de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois quando o despertador tocou, não sem demora custou a Caio levantar-se. Costumeiramente, não como em geral, também. Só que naquela segunda-feira, bem como sobre aquele domingo tranqüilo, nada de erguer-se. Como folha em poça d’água, tampouco houve perturbações noturnas. Pôr-se em pé não conseguia. À dificuldade de sair e seu tráfego tormentoso, lassos e rijos, pôde levantar-se, escorando no armário para não cair. Arduamente, com o passo lerdo, chegou ao banheiro. Ao espelho, repetido, encontrou a raios de luz a única novidade: o mesmo homem de sempre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tocou o despertador. Caio manteve-se na cama, ainda que motivado por um cansaço inverossímil. O que ocorria naquela segunda-feira, certamente não condizia com a tranqüilidade em que transcorrera o domingo. Muito menos com a noite anterior, que fluíra imperturbável, pacífica. Enfrentava dificuldade para se erguer. Teve inclusive de empregar incrível força, para tal. Levantou-se e seguiu para o banheiro. Havia bastante esforço em seus movimentos. Ao se deparar com o espelho, não pôde deixar de reparar que em lugar de sua cara havia uma bolha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114377218962940217?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114377218962940217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114377218962940217&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114377218962940217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114377218962940217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/03/o-mesmo-homem-de-sempre.html' title='O mesmo homem de sempre'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13446768.post-114307984684868103</id><published>2006-03-22T23:08:00.000-03:00</published><updated>2006-03-22T23:10:46.850-03:00</updated><title type='text'>Novidades</title><content type='html'>Visto que as mudanças se processam, vale alterar um pouco o que aqui há. Tentarei postar com mais freqüência, embora seja bem provável não conseguir postar quase nunca (meu mestrado ainda não começou, mas quando começar, tempo algum terei de sobra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero apresentar as mesmas mesmices renovadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13446768-114307984684868103?l=eusouumoutro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/feeds/114307984684868103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13446768&amp;postID=114307984684868103&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114307984684868103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13446768/posts/default/114307984684868103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://eusouumoutro.blogspot.com/2006/03/novidades.html' title='Novidades'/><author><name>Marcel Vieira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16754655296790620884</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://www.chrisshreve.com/solitude.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
